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A generalidade dos pais e educadores é de uma geração que teve o privilégio de brincar na rua, aprendendo a conhecer e a respeitar as diferenças, a liderar, a concordar e a discordar, mas sobretudo a interagir socialmente.

O mundo mudou e chegou a chamada “Era Digital”. Mudou o paradigma, mudou a forma das pessoas se relacionarem, mudou a forma das crianças brincarem e interagirem, enfim, chegou a tecnologia. Com esta mudança, os mais novos entram cada vez mais cedo no mundo virtual, através de tablets e de smartphones e esta nova forma de lazer começou a conquistar muito do tempo livre da vida das crianças e jovens, revolucionando as dinâmicas familiares.

 

Com os jogos online, os jovens ganharam uma forma diferente de interagir com os amigos. Hoje em dia, podemos jogar em casa, contactar com o mundo sem sair do sofá, escondermo-nos atrás de um avatar, sem género ou idade e desafiar amigos dos amigos para interações em rede. É neste contexto que surgem jogos como o Fortnite, um dos jogos online mais popular entre os nossos jovens, com cerca de 200 milhões de utilizadores em todo o mundo. Segundo psicólogo Pedro Hubert, os jogos online têm aspetos positivos, uma vez que jogar pode melhorar “a tomada de decisões, a resolução de problemas, o trabalho de equipa e o pensamento estratégico.” Não podemos esquecer, no entanto, que há muitos riscos, como o facto de os jogos online serem um contexto privilegiado para os criminosos virtuais, que usam a ingenuidade dos mais novos para obter lucro financeiro ou desenvolver outro tipo de motivações psicológicas ou físicas. Aliados a esses perigos externos, surge também a dependência dos utilizadores, sendo, neste momento, uma das consequências mais preocupantes, junto dos adolescentes.

O Manual de Estatística de Transtornos Mentais – DMS-5 da American Psycriatic Association, refere sintomas de dependência dos jogos online para os quais todos devemos estar atentos: irritabilidade, ansiedade ou tristeza, perda de interesse por passatempos e divertimentos anteriores, mentira, agitação e revolta, negligência das obrigações (de uma forma geral) e o fracasso escolar (como consequência mais específica).

Para prevenir ou antecipar comportamentos mais aditivos, há algumas estratégias que os pais poderão utilizar, sendo que o ato de condicionar a disponibilidade a um computador com conexão à internet é, sem dúvida, uma das mais eficazes, pois ao colocarmos a consola ou computador em locais com vigilância, conseguimos controlar o tempo de exposição ao jogo e monitorizamos possíveis situações de perigo.

Face ao contexto atual, pensamos que o mais importante, em qualquer momento, para pais e educadores, é manter um diálogo aberto e proporcionar um ambiente de responsabilidade e confiança. É importante que as crianças e jovens saibam que existem situações problemáticas, mas que podem contar com os pais e professores para resolver esses desafios. Criar um ambiente em que se fale dos perigos que há na internet e/ou fora da dela é bastante importante, pois o risco é algo que nos acompanha para a vida e, por essa razão, não deve ser escamoteado ou ignorado. Não podemos evitar todas as situações a que os nossos jovens estão ou vão ser expostos, mas podemos muni-los de ferramentas que possam capacitá-los para conhecer os seus direitos de utilizador e para aprender a lidar com os riscos, promovendo competências digitais e emocionais.

O risco não tem de ser transformado num dano irremediável. Se houver resiliência, uma situação de perigo pode ser uma oportunidade de aprender e de crescer.

Resumindo, nos dias de hoje, não podemos ignorar a importância que a internet ganhou junto dos nossos jovens, nem devemos acreditar que a proibição é a solução para o problema. Em vez de “castradores”, devemos assumir um papel de orientação, de partilha, acompanhando os nossos jovens e promovendo constantemente uma utilização equilibrada da internet.

Sugestões de consulta sobre o tema:

https://edu.gcfglobal.org/pt/seguranca-na-internet/o-que-e-seguranca-na-internet/1/

http://ensina.rtp.pt/artigo/hashtag-jovens-e-videojogos-o-desafio-comeca-aqui/

http://fabricadesites.fcsh.unl.pt/eukidsonline/

Prof. Tiago Loureiro

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