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Quem age, não se rende!

Continuamos em casa!

Por nós e por todos!

Já passou mais de um mês e continuamos em casa, 24 horas por dia, por tempo ainda indeterminado! Estamos numa luta desenfreada para nos precavermos de algo que não controlamos e ainda pouco conhecemos, procurando manter-nos em segurança, respeitando os cuidados básicos, fazendo o que podemos e o nosso melhor.

No entanto, as dúvidas e incertezas invadem-nos, a ansiedade espreita, com grande vontade de se instalar. Quase que perdemos o Norte na nossa bússola interior. Estamos inseguros! É natural que a situação nos faça repensar as nossas prioridades.

Não estamos, realmente, de férias! Mas as nossas rotinas estão diferentes, há cada vez mais desafios para gerir no dia-a-dia e o mundo está a mudar... Como vai ser? Como está a ser?

Vai ficar tudo bem! É uma expressão associada à esperança no futuro, ao otimismo, ao pensamento positivo que nos deve acompanhar, neste momento, o mais possível.

Não estamos numa situação fácil, não há manuais de instruções, poções mágicas ou fórmulas certas, no entanto, enquanto psicóloga, considero que há aspetos, tais como, uma boa comunicação entre todos, o estabelecimento de rotinas, horários, regras, limites, planos e reuniões familiares, conseguindo mantê-los, dão base e estrutura para se lidar melhor com os grandes e diferentes desafios que vão surgindo.

Assim sendo, temos de enfrentar a nova realidade, dar asas ao novo paradigma educacional em que as crianças e jovens são proativas, se responsabilizam e colaboram com o todo e para o todo. As tarefas domésticas são assim consideradas o motor do desenvolvimento do trabalho de equipa, da entreajuda, do respeito, da justiça, da solidariedade, do voluntariado,..., da autoconfiança, do autoconceito, da autoestima... e permitem perceber o papel da criança/adolescente na família, pelo que faz sentido envolver, cada vez mais, as crianças, mesmo as mais pequenas (mesmo que desajudem mais do que ajudem, tendo oportunidade podem aprender) até os adolescentes e os adultos. Todos devem participar, ressaltando a importância dos pais como modelos educacionais.

Como conseguir manter o equilíbrio?

Gerir tudo isto com calma e um sorriso diríamos que é um trabalho intenso, difícil e para super-pessoas, as quais todos sabemos que não existem.

Tendo esta noção, é muito importante conseguir não negligenciar as nossas necessidades básicas e manter o nosso bem-estar para podermos ser e sentirmo-nos competentes e o mais adequados possível. Devemos também dar atenção às nossas emoções que derivam do que pensamos e às emoções dos nossos filhos.

 

O bem-estar dos adultos (e adultos seniores) está assegurado quando conseguimos pensar positivo (porque vai atuar e produzir emoções mais positivas), mantemos as nossas rotinas (dentro do possível), relaxamos, convivemos com as pessoas que mais gostamos e satisfazemos as nossas necessidades básicas: comemos de forma saudável, dormimos bem e horas suficientes e fazemos algum exercício físico.

Se cuidarmos da nossa saúde física e mental conseguimos lidar mais facilmente com este isolamento e, mais ainda, quem tem filhos. Não significa que temos de esconder o que sentimos ou de inventar desculpas, pelo contrário, devemos falar com honestidade e humildade sobre o que estamos a sentir, transmitindo a ideia que mesmo as emoções mais negativas (chorar, ter medo, irritação, ...) são perfeitamente normais e expetáveis nesta fase, mas também transmitindo que vai passar.

Bem-estar das crianças/adolescentes

Em relação aos filhos (crianças e/ou adolescentes) também há que ter em atenção o facto de precisarem de pais que estejam abastecidos de bens de primeira necessidade, mas também de muita tolerância e paciência, doses extra de capacidade de escuta e comunicação, que lhes permitam expressarem o que sentem, acalmando-os, explicando o que se passa com honestidade e sinceridade, mas também, para não os assustar, de uma forma que entendam, utilizando uma linguagem adequada à sua idade, transmitindo uma mensagem positiva e de esperança, em que estamos todos a viver uma situação nova, mas todos juntos, somos mais fortes e vamos superar.

Em suma, as crianças precisam de se sentir apoiadas, amadas e que os pais estão lá, aconteça o que acontecer. Precisam de espaço para falar ou para se expressarem de qualquer forma. Muitas crianças expressam-se pelo desenho ou brincadeiras, e não tanto por palavras como os adultos. Precisam também de se sentir seguras e essa segurança é transmitida com a definição e manutenção de rotinas, regras e de limites. Temos de pensar no desenvolvimento da criança/adolescente como um todo: social, cognitivo e emocional promovendo a sua capacidade de lidar com a frustração e promovendo o seu bem-estar através das rotinas adaptadas à nova realidade, ou seja, também elas deverão ter um horário regular para levantar e deitar, para comer, para se mexer/pular, para estudar, ler um livro, brincar, jogar, desenhar e tempo livre para não fazer nada, pois este tempo é fantástico porque permite dar asas à imaginação e à criatividade.

Desta forma, estaremos a minimizar as ansiedades e angústias decorrentes desse momento delicado e contribuindo para que as crianças façam menos birras, chorem menos vezes e sem motivo aparente, estejam menos agressivas ou menos isoladas, queiram dormir ou comer, não deixando os pais mais exaustos ou ansiosos permitindo-lhes conciliar o trabalho, a gestão da casa, dos filhos e ainda, garantir a proteção aos mais velhos (que acham que nada lhes acontece, só aos outros), com maior facilidade.

Apesar de tudo, as crianças/adolescentes continuam a precisar de regras bem definidas. Não facilite, pois, a imprevisibilidade alimenta a insegurança e o conflito. Não permita jogos/filmes inadequados à idade e horas infindáveis nos ecrãs. Ver televisão, tablet ou usar o computador são atividades que devem ter um horário controlado e limitado por períodos, dentro de uma rotina saudável, caso contrário arriscam-se a ter um impacto negativo, causar dependência ou outras questões comportamentais.

É verdade que as crianças também se comportam mal, fazem birras, são agressivas e mostram comportamentos desajustados, pelo que será importante pensarmos no que podemos fazer nessas situações. Os gritos e palmadas, não ajudam, podem até parar o comportamento e até parecer, naquele momento, que são eficazes, mas a curto prazo, não ensinam nada de bom à criança e, menos ainda, a lidar com a frustração ou com o “não”.

Se estivermos atentos apercebemo-nos que existem algumas birras (aquelas em que percebemos que a criança está só a exteriorizar as suas emoções, que não se coloca em risco nem aos Outros) que podemos ignorar, dar tempo e esperar que a birra “se vá embora”. Quando a criança estiver mais calma, capaz de nos ouvir, devemos conversar com ela e dar-lhe espaço para falar, dizer o que sente e pensar com ela em algumas formas de resolver a situação. Por exemplo, se a criança magoou alguém ou estragou alguma coisa deve pedir

desculpa, mas também pensar numa forma de reparar ou compensar a pessoa que magoou, fazendo algo pelo Outro, de modo a responsabilizá-la pelo seu comportamento. Outra estratégia muito utilizada pelos adultos é retirar privilégios (não vê televisão, não joga no tablet, ...) mas, no presente contexto, deve-se recorrer a esta estratégia o mínimo possível ou por reduzidos períodos de tempo, pois podemos produzir um efeito ainda pior sobretudo, se não conseguirmos controlar ou se não formos coerentes (dizer e fazer).

É bom contar uns com os outros!

Neste contexto que estamos a viver, em que fomos “obrigados” a estar confinados, a alterar, a abrandar ou mesmo a travar a fundo, apercebermos como é bom contar uns com os outros, a importância de reinventar a “normalidade” distinguindo futilidades e saudades compreendendo o valor da gratidão e o que realmente tem valor.

O mundo está a alterar-se a uma velocidade alucinante e todos procuramos ajustar-nos da melhor forma, conscientes da necessidade de renovação, transformação e de maior compreensão mútua.

Os professores e as educadoras de infância continuam incansáveis à procura de soluções/alternativas para dar continuidade às atividades letivas procurando manter um contacto regular com os seus alunos e reduzindo ao máximo o impacto da quarentena. Não sendo uma tarefa fácil para ninguém, verifica-se que é possível manter o foco na escola, algumas rotinas de estudo, prestando apoio às famílias e agradecendo a sua cooperação. Por cooperação parental entenda-se orientar (crianças mais pequenas), supervisionar (crianças mais crescidas) e promover a autonomia (não fazer por ele).

Para favorecer o crescimento, é fundamental, desde pequenino, ajudar a planear, a organizar-se, a estabelecer e cumprir objetivos/tarefas que define, a gerir o tempo de lazer e as responsabilidades, a respeitar a si próprio e aos outros. O aprender a fazer, o aprender a pensar, o domínio das tecnologias, o procurar respostas para as dúvidas, depois de tentar e não conseguir solicitar a ajuda dos educadores/professores, são os pilares essenciais da aprendizagem global e do sucesso, conferindo-lhes maior capacidade e autoconfiança para darem resposta às exigências futuras.

Estamos todos a fazer História!

Estou convicta que serão muitas as histórias que as famílias vão ter para contar... sobretudo, sobre as diferentes formas como aproveitaram as oportunidades que tiveram para lidar com as dificuldades que sentiram, como desenvolveram mecanismos de resiliência e como ajudaram os filhos a refletir, a aprender a ser e a crescer neste desafio inigualável.

Cuide bem de si e dos seus!

Estamos aqui para ajudar!

Anabela Vinagre

Psicóloga

Gabinete Psicopedagogia do Colégio do Vale