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A Páscoa é sempre num domingo, no entanto o dia e mês em que se celebra varia de ano para ano. Sabe porquê?

No primeiro Concílio de Niceia (325 d.C.), procurando combinar diferentes calendários e tradições hebraicas, romanas e egípcias, o imperador Constantino decretou que a Páscoa deveria ser celebrada no domingo imediatamente a seguir à primeira lua cheia após o equinócio da primavera (no hemisfério sul será o equinócio do outono), podendo ocorrer entre os dias 22 de março e 25 de abril.

Para determinar as datas de Páscoa, o matemático Johann Friederich Carl Gauss desenvolveu um algoritmo que permite calcular a data da Páscoa no calendário gregoriano, a partir de 1583:

 

ALGORITMO PARA DETERMINAR A DATA DA PÁSCOA

Considere-se A o ano, e m e n dois números que variam ao longo do tempo de acordo com a seguinte tabela:

tabela pascoa

Considere-se também:

  • a - o resto da divisão de A por 19
  • b - o resto da divisão de A por 4
  • c - o resto da divisão de A por 7
  • d - resto da divisão de 19a + m por 30
  • e - o resto da divisão de 2b + 4c + 6d + n por 7

Se d + e < 10 então a Páscoa será no dia 22 + d + e de março.

Caso contrário, a Páscoa será no dia d + e - 9 de abril.

Casos particulares:

1. Quando o domingo de Páscoa calculado for o dia 26 de abril, deve ser sempre substituído por 19 de abril (ocorre em 2076).

2. Quando o domingo de Páscoa calculado for o dia 25 de abril e d = 28, e = 6 e a > 10, deve ser substituído por 18 de abril (ocorre em 2049).

 

Assim, para este ano, 2021, temos que a = 7, b = 1, c = 5, d = 7, e = 6, m = 24 e n = 5.

Como d + e = 13, então d + e – 9 = 4, ou seja, a Páscoa será no dia 4 de abril!

E é partir do dia da Páscoa que outros feriados móveis são estabelecidos: 2 dias antes temos a Sexta-Feira Santa, 47 dias antes, o Carnaval e 60 dias depois, o Corpo de Deus

Curiosidades:

1. Por vezes, ouvimos dizer que a Páscoa ocorre 40 dias após o Carnaval, o que não corresponde à verdade. O período entre estas duas datas é um tempo de penitência e de preparação para a Páscoa, designado por Quaresma. Este período compreende um total de 46 dias pois os domingos não são contabilizados, visto não serem dias de penitência.

2. Os dias extremos do intervalo correspondem muito raramente a domingos de Páscoa. A última vez que a Páscoa ocorreu a 22 de março foi em 1818 e a próxima será em 2285. Menos rara é a Páscoa ocorrer no dia 25 de abril (ocorreu em 1943 e voltará a acontecer em 2038 e 2190).

Cristina Raposo

“Não comprem só o jogo, desenvolvam um. Não façam só download de aplicações, ajude a desenvolvê-las. Não joguem apenas, programem”.

Barack Obama

As aulas de informática possibilitam aos alunos a oportunidade de adquirir novas competências e facilitar o processo de ensino e aprendizagem, visando o seu desenvolvimento integral. Mitchel Resnick, do MIT Media Lab, defendeu que, atualmente, saber programação é tão importante como saber ler ou escrever, pois num mundo cada vez mais imerso na tecnologia, quem não aprender a programar será programado.

Muitos acreditam que o ensino da programação, do pensamento computacional, amplia a capacidade de expressar ideias e o raciocínio lógico. O conceito da programação para o desenvolvimento de softwares e aplicações, vai além da simples construção de códigos. Os conceitos básicos de pensamento computacional podem ser aplicados na resolução dos mais comuns e variados problemas, das mais diversas áreas, mesmo que não estando diretamente ligados à programação.

Assim, a linguagem de programação assume uma importância cada vez maior no dia a dia, tornando-se imprescindível o seu ensino nas escolas, já que é imprescindível que as novas gerações tenham contacto desde cedo com este tipo linguagem.

Nos Estados Unidos da América, 40% das escolas ensinam programação; no Reino Unido, desde 2014, todas as escolas são obrigadas a ensinar linguagem de programação aos alunos a partir dos cincos anos.

A ideia não é que se ensine uma linguagem de programação específica e complexa, (como Java, C++, PHP ou qualquer outra), mas sim ensinar a lógica, que acaba por ser a mesma para todas as linguagens.  Não se pretende que todos os alunos se tornem programadores, certamente a maioria optará por outras áreas, mas todos acabarão por revelar uma maior capacidade de abstração e mais criatividade, pois o pensamento computacional desenvolve várias competências, que muitas vezes estão escondidas.

A boa notícia é que, no Colégio do Vale, o pensamento computacional é trabalhado com os alunos desde o 4º ano, nas aulas de Informática, através de algumas ferramentas e jogos interativos que promovem estas aprendizagens. As crianças acabam por aprender programação quase a brincar e, assim, adquirem competências não só ao nível da resolução de problemas, e da capacidade de pensar, como também promovendo o espírito colaborativo e a criatividade.

Deste modo, os alunos do Colégio contactam com plataformas como Code.org, Scratch, Kodu, Microbit, App Inventor, Minecraft e Ready Maker, utilizando-as quer em contexto curricular, nas aulas de Tecnologias da Informação e Comunicação, quer em contexto extracurricular, com os parceiros do Colégio.

Deixamos o desafio a quem quiser perceber um pouco mais e experimentar a plataforma Code.org .

Tiago Loureiro

Professor de Técnologias da Informação e Comunicação

Anos bissextos. Sabe porque existem? E desde quando são parte do calendário?

Conforme todos já reparámos, este ano é daqueles em que o mês de fevereiro tem 29 dias, ou seja, o ano de 2020 é bissexto.

Mas, como determinar se um ano é bissexto?

É comum ouvir dizer-se que os anos múltiplos de 4 são bissextos. Na verdade, não é bem assim: são bissextos todos os anos múltiplos de 4 que não sejam múltiplos de 100 (por exemplo 2012, 2016, 2020, …) e todos os múltiplos de 400 (por exemplo 1600, 2000, 2400, …).

Mas, porque é que isto acontece?

Há mais de dois mil anos, na Roma antiga, o imperador Júlio César apercebeu-se de que o calendário romano, de 365 dias, não estava totalmente alinhado com o ano solar, com duração aproximada de 365,25 dias, ou seja, de 365 dias e 6 horas.

Para compensar este excesso anual de 6 horas, que após 4 anos completaria 24 horas, estipulou-se que seria adicionado 1 dia extra ao calendário a cada 4 anos, evitando-se assim deslocamentos das datas que marcavam o início das estações do ano. Surge assim o calendário juliano em homenagem ao imperador.

Será que o calendário juliano resolveu o problema?

Efetivamente, não! Esse calendário não resolveu totalmente o problema, pois a Terra não demora exatamente 365 dias e 6h a dar uma volta ao Sol, mas sim 365 dias, 5 horas, 48 minutos e 56 segundos, pelo que o calendário juliano criava um excesso anual de 11 minutos e 14 segundos em relação ao ano solar (ou seja 0,0078 dia). Essa diferença, com o passar do tempo, foi causando implicações no calendário das estações e nas datas de alguns ritos religiosos.

Como foi então resolvido o problema?

Tendo em conta que a discrepância de um ano no calendário juliano era de 0,0078 dia a mais que o ano solar, ao final de 1 século, o excesso era de 0,78 dia, ou seja, aproximadamente ¾ de dia, o que, ao final de 400 anos, haveria então uma diferença de 3 dias. Assim, no séc. XVI, o Papa Gregório XIII encontrou uma solução introduzindo um sistema de exceções aos anos bissextos: não seriam bissextos os anos múltiplos de cem, a menos que também sejam múltiplos de 400, retirando-se assim três anos bissextos em cada 400 anos.

Esta regra do calendário gregoriano criado em 1582, embora não seja perfeita, permanece até aos dias de hoje e é usada pela maioria dos países.

Curiosidade: Porque foi escolhido o mês de fevereiro para ser feito esse acerto?

Na implementação do ano bissexto durante o império romano, na época de Júlio César, o mês de agosto tinha apenas 29 dias. Quando o poder chegou às mãos do seu filho adotivo, César Augusto, este não gostou que o mês que recebe o seu nome (agosto) tivesse menos dias do que o mês de Júlio César (julho, que tinha 31 dias). Então, Augusto decidiu redistribuir os dias de forma a dar 31 a agosto, desfavorecendo o mês de fevereiro, que ficou com 28 dias.

Cristina Raposo

Professora de Matemática e Diretora Pedagógica

Com o ano a terminar devemos refletir sobre o que fizemos durante estes 365 dias e pensar no que podemos melhorar, pois, certamente que são várias as imagens que lhe vêm à memória.

Eu venho propor-lhe que pense na sua alimentação!

Quantas vezes já parou 10 minutos para comer qualquer coisa, de preferência rápida, saborosa e já preparada? Quantas vezes não esteve cansado, sem vontade de fazer o jantar e colocou uma lasanha no forno ou fez um bife com batatas fritas? Quantas vezes optou por deixar os miúdos não comerem sopa ou legumes ou lhes deu doces só para eles não chatearem?

Pois é, a alimentação saudável pressupõe que esta seja completa, equilibrada e variada, que alimentos ricos em fibras como cereais, leguminosas, fruta e hortícolas, ricos em vitaminas e sais minerais e com baixo teor de gorduras saturadas façam parte da sua alimentação, proporcionando a energia adequada e os nutrientes necessários ao longo do dia.

Para adotar uma alimentação mais saudável não necessita de comer pratos sem sabor, mas deve evitar doces e fritos, que só deverão ser consumidos em dias festivos.

Para cozinhar de forma saudável e fácil, basta que aposte em alimentos cozidos, grelhados ou assados no forno, ou então cozinhados a vapor ou escalfados. Nenhuma destas formas de cozinhar necessita de adição de gordura na sua confeção.

Para começar a alterar o modo como se alimenta, comece o dia com um pequeno-almoço nutritivo, podendo pão, leite e fruta ser uma boa opção.

Reduza o tamanho das porções ingeridas ao almoço e ao jantar e não se esqueça que, em maioria, no prato devem estar os produtos hortícolas. A sopa deve fazer parte das refeições principais. Faça várias refeições ao longo do dia e não se esqueça que quantidade não é sinónimo de qualidade, por isso, reduza o tamanho das porções ingeridas.

Diminua a quantidade de sal que usa para temperar a comida e evite refeições pré-cozinhadas, muito ricas em sódio e, também, em gordura. A Organização Mundial de Saúde recomenda que não se ingira mais de 5 g por dia e nós, em Portugal, consumimos mais do dobro.

Para o fim deixo a não menos importante água, pois devemos privilegiar o seu consumo como bebida principal e deixarmos os sumos naturais para ocasiões especiais.

Quando se alimenta está a fornecer ao seu organismo os melhores ou os piores nutrientes que escolheu para se alimentar. A sua nutrição depende de si!

Boas escolhas alimentares são sinónimo de uma vida mais saudável!

Mária Benedito

Nutricionista – 2845N

Nas brincadeiras e atividades diárias das crianças, encontramos e proporcionamos um leque alargado de oportunidades que permitem a exploração artística do desenho e da pintura. Através desta arte, as crianças retratam bonecos, animais, pessoas, máquinas, paisagens e expressam sentimentos. O desenho infantil é visto como um meio de desenvolvimento das crianças quando este é utilizado como instrumento de registo sobre a sua motricidade, sentido estético, desenvolvimentos emocional, linguístico, cognitivo e social, através das experiências que são vivenciadas pelas crianças aquando do seu processo de socialização. É tendo em conta este último meio de desenvolvimento que abordamos a temática.

A verdadeira questão é: de onde surgiu a designação cor de pele? Desde os primórdios da nossa existência que assumimos, sem nos questionarmos, a atribuição do significado do lápis cor de pele ao tom pálido da cor rosa. O erro começou por normalizarmos uma expressão que nos deveria parecer estranha. Numa altura social em que cada vez mais lutamos contra as desigualdades entre pessoas com pigmentações de pele diferentes, torna-se importante refletirmos sobre o impacto desta designação, para que consigamos modificar comportamentos e agir com a nossas crianças de forma a normalizarmos o conceito de diferença desde cedo, começando por abordagens que, até à sociedade atual, não eram sequer tidas como assunto étnico.

A Família e a Escola têm um papel preponderante na construção de uma sociedade pluralista. Todos os intervenientes no processo educativo da criança devem questionar até os aspetos menos visíveis e, mais que questionar, agir de forma a que sejam exemplo para as crianças. No Colégio do Vale, começámos por substituir o termo “cor de pele” e utilizamos o nome rosa pálido, bege ou até salmão, quando nos referirmos à cor. Já quando são as crianças a manifestarem essa expressão, respondemos com: cor de que pele? Assim, estamos também a contribuir para que sejam as crianças a questionarem e a refletirem sobre este tema. Também podemos pensar num grupo de crianças com diferentes etnias. O que uma criança com maior pigmentação de pele se sente quando percebe que o lápis cor de pele não tem a cor da pele dela? É fundamental que cada criança, enquanto indivíduo, traga a sua cultura para a sala e se sinta valorizada enquanto cidadã, sentindo-se parte de toda a vida escolar e social.

Também as industriais de papelaria começam a transformar os seus ideais, tendo em conta os questionamentos da sociedade. Se antigamente, todas as caixas de lápis tinham no seu conjunto colorido, um lápis a que chamavam de lápis cor de pele, atualmente, são diversas as marcas mundiais que se preocupam em ampliar o leque de lápis cor de pele, dentro de uma só caixa. Também o Colégio do Vale tem essas caixas de lápis para as nossas crianças utilizarem, pois são estas pequenas mudanças que nos fazem acreditar num futuro multicultural.

Desta forma, queremos atuar e contribuir não só para uma escola multicultural, mas também cooperar, de forma primordial, na construção de indivíduos socialmente capazes de respeitar todas as diferenças. É a diversidade que ainda nos faz surpreender sobre a mudança e enaltece a beleza e dignidade que existe em cada ser humano. E o nosso dever enquanto seres humanos é agir de forma ética, seja qual for a diferença do mundo que nos rodeia. Talvez seja o conceito de diferença que nos atrai para uma conotação negativa, criando abismos culturais entre etnias. O reconhecimento racial assume uma enorme importância na formação de cada indivíduo, principalmente na sua infância, tendo em vista uma maior conscientização da temática, que pode ser o mote da mudança de um rumo e das perspetivas de cada indivíduo enquanto ser social.

No Colégio do Vale não temos um lápis cor de pele. Temos muitos! Cor de pele de quem? Tantas são as cores de pele. Tantas que nunca caberiam dentro de uma caixa de lápis.

Filipa Santos

Educadora de Infância

 

Sabia que 10101 pode ser igual a 21?

Certamente já ouviram dizer que tudo o que computador faz é processado em dados compostos apenas com zeros e uns (0 e 1), ou seja, por um sistema binário.

Mas, antes de explicarmos este sistema de numeração, vamos analisar aquele que utilizamos no nosso dia-a-dia, em que qualquer número pode ser representado utilizando 10 algarismos: 0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8 e 9. E porquê 10 algarismos? Provavelmente porque temos 10 dedos nas mãos.

Neste sistema, um mesmo símbolo pode representar valores diferentes dependendo da posição que ocupa, ou seja, cada algarismo tem um peso de acordo com a sua posição na representação do número. Quanto mais à esquerda aparecer esse símbolo, maior é o seu valor. Trata-se, por isso, de um sistema de numeração posicional. Por exemplo, no número 3023, o 3 mais à esquerda tem um valor 1000 vezes superior ao 3 mais à direita. Efetivamente, 3023 representa o seguinte: 3 x 103 + 0 x 102 + 3 x 101 + 3 x 100. Por este motivo, o nosso sistema designa-se por um sistema de numeração decimal, ou de base 10.

Voltando agora ao computador. Ele apenas lê sinais elétricos na sua forma mais simples: sem corrente ou com corrente, representados pelos números 0 e 1, respetivamente. Assim, todos os comandos e dados processados, desde letras, sons, imagens, resultam de sequências de apenas “0” e “1”, isto é, na computação é utilizado o sistema binário ou de base 2, em que cada símbolo numa dada posição vale 2 vezes mais que na posição à sua direita.

Deste modo, o número 10101 escrito em binário corresponde ao número 1 x 24 + 0 x 23 + 1 x 22 + 0 x 21 + 1 x 20 , que em base decimal se escreve 21.

Nota: Para quem não se recorda das potências, 20 = 1 ; 21 = 2 ; 22 = 2 x 2 = 4 ; 23 = 2 x 2 x 2 = 8 ; …

Curiosidades:

1. O famoso bit significa apenas dígito binário (0 ou 1), abreviatura de binary digit. Um conjunto de oito bits é denominado byte, um kilobyte é composto por 1024 bytes…

2. O símbolo do botão de ligar/desligar dos computadores é inspirado no código binário. O 1 representa “on” e o 0 (zero) representa “off”.
Cristina Raposo

Saiba como a Matemática pode ajudá-lo a conseguir o embrulho de Natal perfeito.

Usando a Matemática é possível descobrir a forma de embrulhar um presente de modo a poupar no papel de embrulho e na fita-cola e, ao mesmo tempo, a conseguir uma bonita embalagem.

A técnica foi criada pela Dra Sara Santos, uma portuguesa a viver atualmente nos Estados Unidos, após ter sido desafiada pela conhecida cadeia de lojas online da Amazon para desenvolver um método que permitisse poupar nos milhares de embrulhos feitos todos os anos pela empresa, na época do Natal.

Mas então, em que consiste esse método? Vamos supor que têm uma caixa com base quadrada, como a da figura. Devemos proceder do seguinte modo:

i) Medir a diagonal do quadrado que constitui a base da caixa (neste exemplo é 14,2 cm);

ii) Medir a altura da caixa (10 cm);

iii) Adicionar o comprimento da diagonal da base com a altura da caixa, multiplicada por 1,5 (14,2+10x1,5=29,2 cm);

iv) Cortar um quadrado de papel de embrulho com lado igual ao valor obtido em iii) (fig. 1).

imagema

Será com este quadrado de papel que vamos embrulhar o nosso presente, como mostram as figuras 1 a 5. Em primeiro lugar, a caixa deve ser posicionada no centro da folha de papel e na diagonal (fig.2). Depois juntam-se duas pontas opostas, podendo utilizar-se um pouco de fita-cola para segurar essas pontas (fig. 3). Em seguida, procede-se da mesma forma para as restantes duas pontas, tendo o cuidado de dobrar um pouco o papel, obtendo-se assim uma sobreposição de papel em dois lados da caixa (fig. 4). Utiliza-se mais um pouco de fita-cola para fixar essas pontas. Os mais habilidosos poderão utilizar apenas este pedaço de fita para fixar as quatro pontas do papel.

E eis que temos o nosso lindo embrulho (fig. 5) em que, para além de se poupar na fita-cola, também se poupou de forma significativa na quantidade de papel, uma vez que existe pouca sobreposição do mesmo.

Também poderá utilizar este método em caixas de base retangular, embora haja uma maior sobreposição de papel e não se consiga um aspeto tão harmonioso com papel de embrulho que tenha riscas paralelas.

Aproveite este método inovador para impressionar os seus familiares e amigos com embrulhos bonitos e económicos!

Quem age, não se rende!

Continuamos em casa!

Por nós e por todos!

Já passou mais de um mês e continuamos em casa, 24 horas por dia, por tempo ainda indeterminado! Estamos numa luta desenfreada para nos precavermos de algo que não controlamos e ainda pouco conhecemos, procurando manter-nos em segurança, respeitando os cuidados básicos, fazendo o que podemos e o nosso melhor.

No entanto, as dúvidas e incertezas invadem-nos, a ansiedade espreita, com grande vontade de se instalar. Quase que perdemos o Norte na nossa bússola interior. Estamos inseguros! É natural que a situação nos faça repensar as nossas prioridades.

Não estamos, realmente, de férias! Mas as nossas rotinas estão diferentes, há cada vez mais desafios para gerir no dia-a-dia e o mundo está a mudar... Como vai ser? Como está a ser?

Vai ficar tudo bem! É uma expressão associada à esperança no futuro, ao otimismo, ao pensamento positivo que nos deve acompanhar, neste momento, o mais possível.

Não estamos numa situação fácil, não há manuais de instruções, poções mágicas ou fórmulas certas, no entanto, enquanto psicóloga, considero que há aspetos, tais como, uma boa comunicação entre todos, o estabelecimento de rotinas, horários, regras, limites, planos e reuniões familiares, conseguindo mantê-los, dão base e estrutura para se lidar melhor com os grandes e diferentes desafios que vão surgindo.

Assim sendo, temos de enfrentar a nova realidade, dar asas ao novo paradigma educacional em que as crianças e jovens são proativas, se responsabilizam e colaboram com o todo e para o todo. As tarefas domésticas são assim consideradas o motor do desenvolvimento do trabalho de equipa, da entreajuda, do respeito, da justiça, da solidariedade, do voluntariado,..., da autoconfiança, do autoconceito, da autoestima... e permitem perceber o papel da criança/adolescente na família, pelo que faz sentido envolver, cada vez mais, as crianças, mesmo as mais pequenas (mesmo que desajudem mais do que ajudem, tendo oportunidade podem aprender) até os adolescentes e os adultos. Todos devem participar, ressaltando a importância dos pais como modelos educacionais.

Como conseguir manter o equilíbrio?

Gerir tudo isto com calma e um sorriso diríamos que é um trabalho intenso, difícil e para super-pessoas, as quais todos sabemos que não existem.

Tendo esta noção, é muito importante conseguir não negligenciar as nossas necessidades básicas e manter o nosso bem-estar para podermos ser e sentirmo-nos competentes e o mais adequados possível. Devemos também dar atenção às nossas emoções que derivam do que pensamos e às emoções dos nossos filhos.

 

O bem-estar dos adultos (e adultos seniores) está assegurado quando conseguimos pensar positivo (porque vai atuar e produzir emoções mais positivas), mantemos as nossas rotinas (dentro do possível), relaxamos, convivemos com as pessoas que mais gostamos e satisfazemos as nossas necessidades básicas: comemos de forma saudável, dormimos bem e horas suficientes e fazemos algum exercício físico.

Se cuidarmos da nossa saúde física e mental conseguimos lidar mais facilmente com este isolamento e, mais ainda, quem tem filhos. Não significa que temos de esconder o que sentimos ou de inventar desculpas, pelo contrário, devemos falar com honestidade e humildade sobre o que estamos a sentir, transmitindo a ideia que mesmo as emoções mais negativas (chorar, ter medo, irritação, ...) são perfeitamente normais e expetáveis nesta fase, mas também transmitindo que vai passar.

Bem-estar das crianças/adolescentes

Em relação aos filhos (crianças e/ou adolescentes) também há que ter em atenção o facto de precisarem de pais que estejam abastecidos de bens de primeira necessidade, mas também de muita tolerância e paciência, doses extra de capacidade de escuta e comunicação, que lhes permitam expressarem o que sentem, acalmando-os, explicando o que se passa com honestidade e sinceridade, mas também, para não os assustar, de uma forma que entendam, utilizando uma linguagem adequada à sua idade, transmitindo uma mensagem positiva e de esperança, em que estamos todos a viver uma situação nova, mas todos juntos, somos mais fortes e vamos superar.

Em suma, as crianças precisam de se sentir apoiadas, amadas e que os pais estão lá, aconteça o que acontecer. Precisam de espaço para falar ou para se expressarem de qualquer forma. Muitas crianças expressam-se pelo desenho ou brincadeiras, e não tanto por palavras como os adultos. Precisam também de se sentir seguras e essa segurança é transmitida com a definição e manutenção de rotinas, regras e de limites. Temos de pensar no desenvolvimento da criança/adolescente como um todo: social, cognitivo e emocional promovendo a sua capacidade de lidar com a frustração e promovendo o seu bem-estar através das rotinas adaptadas à nova realidade, ou seja, também elas deverão ter um horário regular para levantar e deitar, para comer, para se mexer/pular, para estudar, ler um livro, brincar, jogar, desenhar e tempo livre para não fazer nada, pois este tempo é fantástico porque permite dar asas à imaginação e à criatividade.

Desta forma, estaremos a minimizar as ansiedades e angústias decorrentes desse momento delicado e contribuindo para que as crianças façam menos birras, chorem menos vezes e sem motivo aparente, estejam menos agressivas ou menos isoladas, queiram dormir ou comer, não deixando os pais mais exaustos ou ansiosos permitindo-lhes conciliar o trabalho, a gestão da casa, dos filhos e ainda, garantir a proteção aos mais velhos (que acham que nada lhes acontece, só aos outros), com maior facilidade.

Apesar de tudo, as crianças/adolescentes continuam a precisar de regras bem definidas. Não facilite, pois, a imprevisibilidade alimenta a insegurança e o conflito. Não permita jogos/filmes inadequados à idade e horas infindáveis nos ecrãs. Ver televisão, tablet ou usar o computador são atividades que devem ter um horário controlado e limitado por períodos, dentro de uma rotina saudável, caso contrário arriscam-se a ter um impacto negativo, causar dependência ou outras questões comportamentais.

É verdade que as crianças também se comportam mal, fazem birras, são agressivas e mostram comportamentos desajustados, pelo que será importante pensarmos no que podemos fazer nessas situações. Os gritos e palmadas, não ajudam, podem até parar o comportamento e até parecer, naquele momento, que são eficazes, mas a curto prazo, não ensinam nada de bom à criança e, menos ainda, a lidar com a frustração ou com o “não”.

Se estivermos atentos apercebemo-nos que existem algumas birras (aquelas em que percebemos que a criança está só a exteriorizar as suas emoções, que não se coloca em risco nem aos Outros) que podemos ignorar, dar tempo e esperar que a birra “se vá embora”. Quando a criança estiver mais calma, capaz de nos ouvir, devemos conversar com ela e dar-lhe espaço para falar, dizer o que sente e pensar com ela em algumas formas de resolver a situação. Por exemplo, se a criança magoou alguém ou estragou alguma coisa deve pedir

desculpa, mas também pensar numa forma de reparar ou compensar a pessoa que magoou, fazendo algo pelo Outro, de modo a responsabilizá-la pelo seu comportamento. Outra estratégia muito utilizada pelos adultos é retirar privilégios (não vê televisão, não joga no tablet, ...) mas, no presente contexto, deve-se recorrer a esta estratégia o mínimo possível ou por reduzidos períodos de tempo, pois podemos produzir um efeito ainda pior sobretudo, se não conseguirmos controlar ou se não formos coerentes (dizer e fazer).

É bom contar uns com os outros!

Neste contexto que estamos a viver, em que fomos “obrigados” a estar confinados, a alterar, a abrandar ou mesmo a travar a fundo, apercebermos como é bom contar uns com os outros, a importância de reinventar a “normalidade” distinguindo futilidades e saudades compreendendo o valor da gratidão e o que realmente tem valor.

O mundo está a alterar-se a uma velocidade alucinante e todos procuramos ajustar-nos da melhor forma, conscientes da necessidade de renovação, transformação e de maior compreensão mútua.

Os professores e as educadoras de infância continuam incansáveis à procura de soluções/alternativas para dar continuidade às atividades letivas procurando manter um contacto regular com os seus alunos e reduzindo ao máximo o impacto da quarentena. Não sendo uma tarefa fácil para ninguém, verifica-se que é possível manter o foco na escola, algumas rotinas de estudo, prestando apoio às famílias e agradecendo a sua cooperação. Por cooperação parental entenda-se orientar (crianças mais pequenas), supervisionar (crianças mais crescidas) e promover a autonomia (não fazer por ele).

Para favorecer o crescimento, é fundamental, desde pequenino, ajudar a planear, a organizar-se, a estabelecer e cumprir objetivos/tarefas que define, a gerir o tempo de lazer e as responsabilidades, a respeitar a si próprio e aos outros. O aprender a fazer, o aprender a pensar, o domínio das tecnologias, o procurar respostas para as dúvidas, depois de tentar e não conseguir solicitar a ajuda dos educadores/professores, são os pilares essenciais da aprendizagem global e do sucesso, conferindo-lhes maior capacidade e autoconfiança para darem resposta às exigências futuras.

Estamos todos a fazer História!

Estou convicta que serão muitas as histórias que as famílias vão ter para contar... sobretudo, sobre as diferentes formas como aproveitaram as oportunidades que tiveram para lidar com as dificuldades que sentiram, como desenvolveram mecanismos de resiliência e como ajudaram os filhos a refletir, a aprender a ser e a crescer neste desafio inigualável.

Cuide bem de si e dos seus!

Estamos aqui para ajudar!

Anabela Vinagre

Psicóloga

Gabinete Psicopedagogia do Colégio do Vale

Na edição de novembro revelámos o significado do misterioso algarismo do número do Bilhete de Identidade. E os 4 caracteres do Cartão de Cidadão? O que significam?

Com a criação do Cartão de Cidadão, o antigo número do BI passou a ser designado por Nº de Identificação Civil, o qual aparece seguido de 4 caracteres.

O primeiro desses caracteres corresponde exatamente ao antigo algarismo suplementar do BI desvendado na nossa edição de novembro.

Quanto aos dois caracteres alfanuméricos, estes representam apenas o número da emissão do cartão para um determinado cidadão: o primeiro cartão a ser emitido apresenta as letras ZZ; se for emitido um novo cartão, este virá com as letras ZY, e assim sucessivamente. Com grande probabilidade, neste momento o leitor estará a olhar para o seu cartão de cidadão a verificar se assim é.

No fim surge um outro algarismo, com um valor entre 0 e 9. Este é o algarismo de controlo de um novo sistema que permite detetar erros na escrita de todo o documento.

Vejamos o exemplo 17310684 6 ZZ8. Em primeiro, são atribuídos valores numéricos às letras: A = 10; B = 11; …; Z=35. Depois, fazendo a leitura do número da direita para a esquerda (começando no algarismo de controlo), adicionam-se todos os algarismos que estão nas posições ímpares (s1=8+35+4+6+1+7=61). Em seguida, multiplica-se por 2 os algarismos nas posições pares (2x35=70; 2x6=12; 2x8=16; 2x0=0; 2x3=6; 2x1=2). Subtraem-se 9 unidades aos valores obtidos com mais de um dígito (61; 3; 7; 0; 6; 2) e adicionam-se estes valores (s2=61+3+7+0+6+2=79). Por fim, calcula-se a soma dos valores obtidos (s1+s2=61+79=140), o qual deverá ser múltiplo de 10 (ou seja, o seu algarismo das unidades deverá ser 0). Se o resultado não for um múltiplo de 10, significa que ocorreu um erro e que o número não está corretamente escrito.

Este sistema, ao contrário do dígito de controlo do BI, permite efetivamente detetar se a escrita do número está correta, tornando desta forma possível detetar falsificações de cartões assim como reconstruir o número em caso de ilegibilidade de algum algarismo.

CRIANÇA. Sinónimo de “um Ser” capaz, competente e com uma identidade própria que a levará a construir-se enquanto “pessoa”, integrada em diferentes cenários educativos: a família, a escola, a comunidade. Assim, desenvolve a sua personalidade tendo em conta o meio em que está inserida, mas também a forma como é cuidada, compreendida e respeitada. Por isso, a infância é uma etapa crucial e marcante na vida de um ser humano.

A CRIANÇA é um ser ávido de descobertas, explorações e aprendizagens, que só se sente capaz de “Crescer Feliz” se se sentir cuidada, rodeada de pessoas, de sentimentos e emoções, mas acima de tudo, se se sentir protegida.

Com a aprovação da Convenção dos Direitos das Crianças (em 1989, ONU), a criança é valorizada num conjunto de direitos fundamentais, que assentam em quatro grandes pilares: a não discriminação (todas as crianças têm direito a desenvolver todo o seu potencial), o interesse superior da criança (prioritário em todas as ações e decisões que lhe diga respeito), a sobrevivência e o desenvolvimento (garantir o acesso a serviços básicos e à igualdade de oportunidades), a opinião da criança (esta deve ser ouvida e tida em conta em todos os assuntos que digam respeito aos seus direitos).

Neste sentido, o Colégio do Vale, enquanto alicerce fundamental na educação e também no crescimento e desenvolvimento saudável e harmonioso dos seus alunos, promove uma Escola de Direitos e Deveres, em que as crianças e jovens:

… têm a sua identidade e adquirem o sentido de pertença a um grupo;

… fazem as suas escolhas, tomam decisões, são ouvidas e respeitadas;

… dão a sua opinião, dialogam, escutam e negoceiam;

… têm direito a desenvolver a sua personalidade, os seus dons e aptidões;

… reconhecem e respeitam a sua identidade cultural, a língua, valores e tradições;

… respeitam civilizações e culturas diferentes da sua;

… preparam-se para assumir responsabilidades, num espírito de compreensão, paz, tolerância, igualdade de género e de amizade;

… respeitam o meio ambiente;

… têm acesso a um currículo inclusivo e adaptado a todos;

… têm direito à liberdade de expressão, podendo dizer o que pensam através da fala, da escrita, da música, da dança;

… têm tempo livre, criam laços, brincam e aprendem;

… percecionam-se integrados numa família, reconhecida, respeitada e valorizada na escola

As regras e deveres são também fundamentais no desenvolvimento de todas as crianças, devendo saber respeitar-se a si e aos outros, e serem capazes de ouvir e aceitar opiniões diferentes das suas.

As escolhas são um direito de todos, mas requerem responsabilidade a ter em conta numa vida em sociedade.

No Colégio do Vale trabalhamos para que o dia Mundial dos Direitos das Crianças seja celebrado diariamente.

No Colégio do Vale…

… Vale ser Criança, Vale ser Feliz!

Ana Carrilho

Educadora de Infância – Colégio do Vale

Quando abraçamos a missão de preparar as nossas crianças/os nossos jovens para um mundo que ainda não conhecemos, não é suficiente promover a aquisição de conhecimentos teóricos, científicos e práticos. É também essencial que se promovam atividades em que possamos questionar o que nos rodeia e reinventar o que conhecemos, pois o progresso do nosso mundo não depende do domínio de tudo o que é conhecido ou já foi inventado, mas de toda a capacidade que temos para o que ainda podemos inventar.

Assim, a criatividade promove um equilíbrio entre a teoria e a prática na aprendizagem e a expressão dramática é a grande oportunidade de desenvolver a ligação entre a consciência, os conhecimentos adquiridos e as emoções. Enquanto se memoriza as falas e se aprende a expressar fisicamente, adquirem-se competências de capacidade de comunicação, concentração, cooperação, empatia, autoconfiança, que dificilmente se desenvolveriam tão eficazmente noutro contexto e que são ferramentas essenciais num mundo cada vez mais exigente e competitivo.

Deste modo, o Colégio do Vale dinamiza, há 15 anos, o Núcleo de Teatro do Colégio do Vale, que pretende a valorização do sentido estético e artístico ao mesmo tempo que é um instrumento impulsionador de uma aprendizagem mais globalizante e autónoma. Um aluno que enfrente os desafios de pisar um palco, será sempre um adulto mais seguro, mais confiante, mais feliz e com uma maior capacidade de improvisação diante de situações inesperadas que surjam.

Independentemente da plateia ou dos aplausos, o teatro ensina-nos a desempenhar o nosso papel, ensinando-nos também a importância de apoiar e de sermos apoiados num grupo onde crescemos juntos, criando e recriando outras oportunidades e explorando novos caminhos, rumo a um progresso que será sempre o resultado desses percursos que nos predispusemos a inventar.

Ana Coelho

Professora de Português e Francês

Os Jovens convivem, interagem, namoram… na escola, nos bancos do jardim… na Vida! As emoções evoluem, as hormonas chocam dentro do seu corpo e as transformações acontecem. As descobertas iniciam-se e com elas as dúvidas, a curiosidade.

Falar em Sexualidade não é abordar apenas uma questão científica. Falar em Sexualidade é falar também em sensações e emoções. O conjunto que evolui dentro de cada adolescente.

O “encontro” com a Sexualidade é cruzar com um estado de energia que nos motiva para encontrar amor, contacto, ternura e intimidade; ela integra-se no modo como sentimos, movemos, tocamos e somos tocados, é ser-se sensual e ao mesmo tempo ser-se sexual. Esse estado de energia (e de alma) influencia pensamentos, sentimentos, ações e interações e, por isso, influencia também a nossa saúde física e mental.

Porém, tudo o que vivemos deve ser feito e sentido com responsabilidade. A vida é feita de escolhas e fazê-las de forma ponderada e responsável, tendo noção dos prós e dos contras, assumindo as consequências das opções que são tomadas, é fundamental!

Cada vez mais os jovens vivem as relações afetivas em formato fast food, o imediato e com uma emoção intensa. Muito informados, mas pouco reflexivos face à informação. A Educação Sexual assume, neste contexto atual, um papel fundamental para tornar a sala de aula um espaço de partilha, reflexão e, ao mesmo tempo de promoção da saúde sexual dos adolescentes.

Os jovens não são só ciência e o espírito crítico face ao conhecimento necessita de ir ao encontro do que eles sentem. A escola é a responsável pela sua abordagem formal, mas também emocional, promovendo a igualdade entre os sexos e educando para o respeito pela diferença entre as pessoas e pelas diferentes orientações sexuais.

Escola e Família colaboram assim para ajudar os jovens a sentirem-se mais seguros quando as dúvidas, as angústias e os receios surgirem, promovendo o autoconhecimento e valorização de si próprios, nesta etapa fundamental para a construção da sexualidade adulta.

 

Professora Maria Carrilho

Ciências Naturais

Sabe o que representa o misterioso algarismo que se segue ao número do Bilhete de Identidade?

Há cerca de duas décadas, o Estado Português acrescentou um algarismo suplementar aos 8 algarismos do Bilhete de Identidade (BI), atualmente designado por Nº de Identificação Civil e que consta no Cartão de Cidadão. Com grande probabilidade terá ouvido alguém dizer que esse algarismo indicava o número de pessoas em Portugal que tinham um nome exatamente igual ao do portador do cartão. Mas ... será isso verdade? Efetivamente isso não passa de um mito urbano, pois o algarismo misterioso é um dígito de controlo que permite detetar erros na escrita ou leitura do número do BI.

Vejamos, como exemplo, o número 17310684, em que 6 é o algarismo suplementar.

Para verificar se o número está correto procede-se da seguinte forma: fazendo a leitura do número da direita para esquerda, (começando no suplementar) multiplicam-se os algarismos sucessivamente por 1, 2, 3, … ,9 e somam-se os resultados.

1 x 6 + 2 x 4 + 3 x 8 + 4 x 6 + 5 x 0 + 6 x 1 + 7 x 3 + 8 x 7 + 9 x 1 = 154

Como 154 : 11=14, conclui-se que 154 é múltiplo de 11 e, assim sendo, o número do BI está correto. Se o resultado final não fosse um múltiplo de 11, significava que tinha ocorrido um erro e que o número não estava bem escrito. No entanto, este sistema tem um bug. Uma vez que, na divisão por 11, o resto pode ser um número de 1 a 10, há números de BI cujo número de controlo seria 10. Mas, como 10 não é um dígito, Portugal adotou a solução de usar o “0” quando fosse “10”. Assim, quando temos um “0” impresso, este poderá ser verdadeiramente um “0” ou um “10”, pelo que muitos erros de escrita poderiam não ser detetados.

Fica assim desvendado o mistério do algarismo do Bilhete de Identidade! Numa próxima edição iremos debruçar-nos sobre o significado dos restantes caracteres que compõem o número do Cartão de Cidadão, nomeadamente as 2 letras e o algarismo que se encontra no final.

Curiosidade: O primeiro Bilhete de Identidade, com o número 1, foi emitido em 1914, para o Presidente da República Manuel de Arriaga.

Cristina Raposo

Professora de Matemática