Concurso Imagem

Hoje, dia da Poesia e do projeto Eco-Escolas, foram anunciados os resultados do concurso literário “A árvore das palavras”, subordinado ao tema da Floresta.

No 2º Ciclo, a vencedora foi a aluna Joana Rendeiro (6ºB) e, no 3º Ciclo, o primeiro lugar foi atribuído à aluna Benedita Cachadinha (9ºB). Estão também de parabéns os alunos Rodrigo Santos (6ºA) e Joana Silva (7ºA) que receberam uma menção honrosa pelos textos que produziram. Parabéns a todos os participantes! Continuem a escrever e a inspirar!

Uma aventura na floresta

Era uma vez uma menina chamada Luísa, que vivia numa bela casa com vista para uma verde floresta. Desde pequena que Luísa nunca gostara da Natureza, (o que não dava jeito tendo em conta que vivia “colada” a uma floresta)…

Sempre lhe metera confusão o barulho agudo e irritante do chilrear dos pássaros, os bichinhos a treparem-lhe pelas pernas acima, as plantas que lhe provocavam alergia nas pernas… Era uma criança que era totalmente contra a Natureza.

Todos os dias passava pelo mato para ir para a escola a pé, enquanto se ia queixando de tudo… “ Ai, que comichão!...” ; “ Raio do bicho que não se cala!”…

E todos os dias era a mesma luta. Mas como é que afinal uma pessoa pode ser assim tão “Anti- Natureza?”

Um dia, a seguir à escola, Luísa vinha muito zangada, pois o teste de Ciências não lhe tinha corrido bem, especialmente a matéria sobre os animais e sobre algumas medidas de prevenção para os habitats dos animais não serem destruídos pelos humanos. Vinha de rastos, lamentando-se e chorando num pranto como se o mundo fosse acabar, sentia-se cansada e triste e, no caminho de regresso a casa, ao passar pela floresta, parou um pouco para se tentar acalmar e sentou-se no tronco de uma árvore já cortado. De repente, viu um passarinho que voou desde o cimo de uma árvore até ao pé de Luísa e, pela primeira vez, em vez de o enxotar, deixou-se ficar a observá-lo… O pássaro dava bicadas na lancheira de Luísa e ela apercebeu-se que ele estava com fome e tirou o pão que a mãe lhe fizera para o lanche, partindo-o em pequenos pedaços, e foi dando ao passarinho… Pela primeira vez não estava a odiar a Natureza, pelo contrário, até estava a gostar, parecia que no meio da Natureza se sentia calma, em paz, relaxada e sentia-se tão bem que até já se tinha esquecido da razão de ter ficado triste. Sentia-se contente por estar a ajudar um pássaro, que antes de se ir embora lhe chilreou, como se fosse uma forma de agradecimento. Pela primeira vez, em vez de lhe parecer um barulho agudo e irritante, ouvia um belo canto, uma voz melodiosa… E foi aí que se apercebeu que afinal a Natureza era maravilhosa e que este tempo todo não tinha dado uma oportunidade para ver e para experienciar coisas novas.

Decidiu que, a partir daquele momento, iria ser uma pessoa diferente e mudar a sua forma de pensar em relação aos animais e à Natureza e depois foi para casa, pois tinha demorado algum tempo e a sua mãe já devia estar preocupada.

No dia seguinte, quando foi à escola, tinha um teste surpresa de Ciências, a matéria que saía era a mesma que lhe tinha corrido mal no outro teste, mas desta vez aplicou-se um pouco mais e realmente refletiu sobre o que tinha acontecido no dia anterior e, ao levar aquilo um pouco mais a sério, o teste até lhe correu bastante melhor.

Ao voltar para casa, viu que os bombeiros estavam à porta da sua casa e primeiro pensou que a sua casa tinha ardido, mas felizmente isso não tinha acontecido… A floresta, no entanto, sim. Luísa ficou desolada… Nessa noite nem conseguiu dormir, mas de tanto pensar teve uma ideia.

Na manhã seguinte, despachou-se a correr, foi para a escola e falou com a professora sobre uma ideia que tinha tido…Infelizmente, a floresta tinha ardido, mas com a ajuda da escola podiam ajudar a floresta, plantando novas árvores, novas plantas… A verdade é que o que aconteceu, aconteceu, mas, podiam todos juntos resolver o problema.

A sua ideia foi aceite pela escola e todos trabalharam para que a floresta voltasse a ser o local que era e de que ela tanto tinha aprendido a gostar!

Joana Rendeiro, 6ºB

Floresta

Olhei-te nos olhos e com uma coragem desconhecida, entrei. Entrei na densa e verde floresta, com árvores que chegam ao céu e flores exuberantes. Vermelhas, como o sangue que me corre constantemente nas veias. A mim, a ti e a todos.

Vagueei sem rumo, sem direção, sem propósito. Uma floresta inabitada aos longos e duros anos. Pergunto-me silenciosamente “Como sobreviveste assim? Sem fogo, sem paixão?”. Tenho pena de ti, e ao mesmo tempo, inveja. Mesmo que vazia, a floresta está intacta. Eu não. Eu estou partida.

Continuo a andar e oiço um sussurro “Amo-te”. Continuo a andar e ao fundo vejo-o. Um fogo. Um incêndio. Um calor. Um amor. Aproxima-se devagar, queimando tudo por onde passa. Até mesmo eu me sinto queimada. Sinto o calor no peito que se alastra pelas minhas veias ao longo do meu corpo.

“Não!” respondo ao sussurro. “Não mais.”, completo.

E o que antes era belo e perfeito, desapareceu. Uma chuva incessável caiu sobre toda a floresta, mas o fogo não apagou. Ainda não. O fogo continua lá, com a mesma intensidade e veracidade. É uma chuva triste e zangada. As folhas caem das árvores deixando-as nuas. As flores murcham. As árvores caem, carbonizadas. Antes, altos arranha-céus, agora nada mais são do que cinzas. Sorrio. Não consigo evitar. Outrora, fora eu a chover e a arder. Agora admiro calmamente a confusão a instalar-se e saio a passos lentos e pesados da floresta.

Admiro-te e sinto pena. Não merecias. Merecias alguém que te fizesse crescer e florescer. Estou-te a dar essa oportunidade!

Não te permito a entrada na minha floresta, no meu coração, porque esta está devastada. Está a passar por um inverno pesado e doloroso. Tudo congelou! Ninguém pode lá entrar. Porque a chuva acaba. O fogo apaga. E tu superas. Mas o gelo, demora a descongelar. As árvores demoram a crescer. Talvez um dia eu volte a ser a mesma, mas por agora:

“Adeus e boa sorte!”.

Benedita Cachadinha, 9ºB