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É Bullying!?

Não banalizemos o termo.

Hoje, com tanta informação disponível, é fundamental não banalizarmos termos para não incorrermos em erros possíveis mas desnecessários ou evitáveis.

Considerar que tudo é bullying é tão nocivo como achar que não é nada de importante. Não podemos banalizar o termo. Um ato isolado não pode ser considerado bullying. É preciso ter prudência e bom senso, nem tudo é bullying, mas também nem tudo é apenas uma brincadeira.

O esperado é que as pessoas não ajam no sentido de, deliberadamente, magoar o outro. Muitas vezes, uma criança discutir com um colega, receber uma crítica ou um empurrão, ser recusada na brincadeira organizada por um grupo no recreio, não querer ser mais a melhor amiga ou ter uma vontade repentina de faltar à escola, remete rapidamente e incorretamente, para a expressão: “É bullying!”

Mas afinal, o que é o bullying?

O bullying é um termo utilizado para descrever atos intencionais e repetidos de violência física ou psicológica que causam angústia e humilhação no outro.

No bullying fala-se de agressor (bullie), vítima e espectadores, podendo acontecer em qualquer contexto: escolas, universidades, famílias, vizinhos, em locais de trabalho,…

O conceito de bullying não é seletivo, pode atingir qualquer um e diz respeito a todos. Quando o bullying existe, tanto a vítima como o agressor/bullie precisam de ajuda…Ambos têm uma baixa autoestima que se manifesta de forma diferente.

O bullie, geralmente, não gosta de si mesmo ou vive com agressão, precisa de atenção, de se sentir importante, sendo frequente não compreender e não se importar com os sentimentos dos outros, usando a agressão. Esses atos são praticados por uma ou mais pessoas (bullies), rapazes ou raparigas, com o objetivo de intimidar ou agredir outro indivíduo.

Adotam comportamentos deliberados e repetitivos no tempo, como bater, pontapear, beliscar, empurrar, chamar nomes, ameaçar, provocar, hostilizar, manipular, amedrontar ou chantagear. Os bullies podem também espalhar um boato sobre alguém, roubar dinheiro ou comida, gozar ou deixar alguém fora do grupo, propositadamente (rejeitar).

Por outro lado, a vítima é (geralmente) passiva, tímida, reservada, com receio de falar, de se impor, sentindo-se magoada com a abordagem, ficando sozinha, envergonhada, triste e com medo. O ter de lidar com o bullying pode até fazê-la sentir-se doente.

Os espectadores são as pessoas que assistem a situações de bullying e podem fazer algo para ajudar, começando por contar a um adulto o que se passa, devendo este interferir quando vê o bullie ser agressivo,… .

A escola, sendo um espaço privilegiado de socialização, permite aprender regras de funcionamento, de cooperação, de integração, de ajuda, de participação e, embora o bullying tenha reflexos na escola ou se reproduza nela, é importante os pais refletirem que, não é apenas no ambiente escolar que as crianças aprendem a discriminar e a desrespeitar.

O papel dos pais é difícil, pois requer coerência e disponibilidade, o que nem sempre acontece. Também é verdade que o excesso de proteção dos pais pode condicionar os filhos a lidar com as frustrações e com os desentendimentos característicos de cada idade, surgindo comentários como: “se for preciso, eu vou lá falar com esse teu amiguinho”, “simplesmente, fazes o mesmo…” ou “não falas/brincas mais com ele” o que os pode impedir de ser assertivos e de viver cada fase saudavelmente. A maior parte das vezes, os pais ficam tão incomodados com o relato que procuram soluções igualmente rápidas e interferem alimentando as dificuldades e inibindo o desenvolvimento dos filhos. É importante ouvi-los, mas também ajudá-los a lidar com as próprias emoções/sentimentos tais como, a tristeza, o medo, a raiva, a alegria, a revolta, a justiça e a injustiça.

Se os filhos forem impedidos de sentir emoções, como irão lidar com isso durante a adolescência e a fase adulta? Como vão crescer?

Uma criança/jovem que não sabe lidar com as emoções, ao deparar-se com situações sentidas como adversas ou frustrantes, terá uma maior probabilidade de procurar fugir dos problemas, isolando-se, sendo agressivo, rebelde ou apresentando outros comportamentos mais graves.

Procure não fazer ou resolver por ele. Fortaleça a sua autoestima. Oiça-o mais. Fale menos. Permita-lhe refletir consigo, ponderar soluções, fazer escolhas. Deixe-o resolver as questões, experimentar enfrentar desafios, viver perdas e a conquista de novos amigos.

Ajude-o a ser autónomo, livre e feliz.

 

Anabela Vinagre

Psicóloga Educacional

Outubro 2019