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O cancro da mama é uma das doenças com maior impacto na nossa sociedade, não só por ser muito frequente, mas também porque agride um órgão cheio de simbolismo, na maternidade e na feminilidade. Esta doença que não escolhe idades nem sexo é a principal causa de morte entre os 35 e os 55 anos no sexo feminino. Em Portugal, anualmente são detetados cerca de 7.000 novos casos de cancro da mama, e 1.800 mulheres morrem com esta doença. O cancro da mama é uma neoplasia (crescimento ou proliferação anormal, autónoma e descontrolada de um determinado tecido do corpo) que tem origem nos tecidos mamários, geralmente nos ductos (tubos que transportam o leite para o mamilo) ou nos lóbulos (glândulas que produzem o leite). Tem início quando células saudáveis na mama se alteram e crescem sem controlo, formando uma massa chamada de tumor. O tumor pode ser cancerígeno ou benigno. Não é conhecida uma causa específica para o cancro da mama, porém pode estar associada a determinados fatores de risco, tais como: 

  • Idade: A possibilidade de ter cancro da mama aumenta com a idade. O cancro da mama é menos comum antes da menopausa. 
  • Sexo: Maior incidência no sexo feminino. 
  • Lesões benignas 
  • Hereditariedade: O histórico familiar é uma forma de se saber se existe maior predisposição para ter cancro. 
  • Maternidade: As mulheres que nunca tiveram filhos ou tiveram o primeiro depois dos 30 anos têm um risco acrescido de desenvolver cancro da mama. 
  • História menstrual longa: As mulheres que tiveram a primeira menstruação em idade precoce (antes dos 12 anos de idade), e que tiveram uma menopausa tardia (após os 55 anos), apresentam um maior risco em desenvolver a doença. 
  • Etnia: O cancro da mama ocorre com maior frequência em mulheres Caucasianas, comparativamente a mulheres Latinas, Asiáticas ou Afrodescendente. 
  • Densidade mamária: Mulheres mais velhas que apresentam, essencialmente, tecido denso (não gordo) numa mamografia (raio-X da mama), apresentam um maior risco para ter cancro da mama. 
  • Obesidade após a menopausa: As mulheres que são obesas, após a menopausa, apresentam um maior risco para desenvolver cancro da mama. 
  • Excesso de peso: É outro fator indissociável do cancro da mama. Contudo, o risco é maior se o aumento de peso ocorrer apenas a partir da idade adulta. 
  • Consumo excessivo de álcool 
  • Tabagismo: O tabaco aumenta a probabilidade de desenvolver vários tipos de cancro, incluindo o da mama especialmente quem começou numa idade precoce.

É essencial que as mulheres tenham consciência da anatomia da sua mama. Só assim poderão perceber se surgir algum nódulo ou espessamento na mama ou na zona axilar, se persistir um aspeto escamoso, vermelho ou inchado, ou se agravar alguma alteração na mama ou no mamilo quer no tamanho quer na forma bem como a secreção ou perda de líquido pelo mamilo. Em qualquer dos casos acima referidos, devem recorrer ao médico para fazer uma avaliação.

De modo a alertar as mulheres e a sociedade sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do cancro da mama, foi criada em 1997 nos EUA, uma campanha internacional de sensibilização “Outubro rosa” em que o rosa significa a LUTA e a superação contra a doença que quanto mais cedo for detetada, maior é a taxa de sucesso. As medidas de deteção precoce da doença incluem a mamografia, o autoexame da mama e o exame clínico da mama.

O Colégio do Vale não ficou indiferente a esta temática, e no âmbito da disciplina de Ciências Naturais os alunos do 9ºano desenvolveram o projeto “Mês Rosa”, no qual estão a ser desenvolvidas várias atividades, tais como: a realização de uma exposição sobre o tema; distribuição de laços por toda a comunidade escolar; a criação do dia rosa, em que todos se fazem acompanhar por um adereço rosa visível de modo a mostrar que não precisamos de palavras para fazermos a diferença; a realização de uma palestra com a Dra. Leonor Matos, médica oncologista na Fundação Champalimaud, aos alunos de modo a desmistificar a palavra “cancro” que tantos receios e dúvidas provoca na sociedade e a realização do laço humano com os alunos do 2ºe 3ºciclo…

…Vamos colorir Outubro com a cor rosa!!!

Maria Carrilho

Professora de Ciências Naturais

No dia 1 de outubro uma luz de esperança iluminou o nosso olhar, novas medidas foram lançadas e sentimos que aos poucos alguma normalidade regressa às nossas vidas.

Uma delas: o regresso às salas de cinema, aliciados pela estreia do mais famoso agente de todos os tempos “007, James Bond – Sem Tempo para Morrer”. Cinema, bilhetes e pipocas… Podia contar a história sobre o espião Dusko Popov que inspirou Ian Fleming e a sua caneta, mas a pipoca, essa malandra estaladiça que desafia o palato e as dietas mais rigorosas, será o tema de “Cenas da História”.

Quantas vezes amaldiçoaram quem inventou este manjar? Quem foram os iluminados que se lembraram de aquecer os grãos do milho secos?

Os vestígios mais antigos da utilização do milho levam-nos às antigas civilizações da América Central e do Sul, as quais já integravam o milho na sua dieta alimentar.

O milho era deixado inteiro junto às fogueiras enquanto esperava para ser cozido. Com o calor começou a estourar. Possivelmente a explosão terá provocado um valente susto em quem estava por perto, mas nesse momento nasceu a famosa Pipoca.

Para os nativos americanos, o estouro do milho era um momento de stress dos deuses, pois acreditavam que no interior do grão existia um espírito que com o aquecimento irritava-se e estourava. Era a explicação mitológica para o processo de transformação do milho em pipoca, descoberto graças a um acaso como muitos acontecimentos da nossa História.

O sal e a manteiga não entraram na receita. Para condimentar a pipoca os nativos americanos usavam ervas para potenciar o sabor do milho.

No mês da alimentação saudável, recordamos este alimento que, do ponto de vista nutricional, pode ser uma fonte de alimentação com baixas calorias e rica em proteína, ferro e fibra.

Sónia Gonçalves

Professora de História

“Não comprem só o jogo, desenvolvam um. Não façam só download de aplicações, ajude a desenvolvê-las. Não joguem apenas, programem”.

Barack Obama

As aulas de informática possibilitam aos alunos a oportunidade de adquirir novas competências e facilitar o processo de ensino e aprendizagem, visando o seu desenvolvimento integral. Mitchel Resnick, do MIT Media Lab, defendeu que, atualmente, saber programação é tão importante como saber ler ou escrever, pois num mundo cada vez mais imerso na tecnologia, quem não aprender a programar será programado.

Muitos acreditam que o ensino da programação, do pensamento computacional, amplia a capacidade de expressar ideias e o raciocínio lógico. O conceito da programação para o desenvolvimento de softwares e aplicações, vai além da simples construção de códigos. Os conceitos básicos de pensamento computacional podem ser aplicados na resolução dos mais comuns e variados problemas, das mais diversas áreas, mesmo que não estando diretamente ligados à programação.

Assim, a linguagem de programação assume uma importância cada vez maior no dia a dia, tornando-se imprescindível o seu ensino nas escolas, já que é imprescindível que as novas gerações tenham contacto desde cedo com este tipo linguagem.

Nos Estados Unidos da América, 40% das escolas ensinam programação; no Reino Unido, desde 2014, todas as escolas são obrigadas a ensinar linguagem de programação aos alunos a partir dos cincos anos.

A ideia não é que se ensine uma linguagem de programação específica e complexa, (como Java, C++, PHP ou qualquer outra), mas sim ensinar a lógica, que acaba por ser a mesma para todas as linguagens.  Não se pretende que todos os alunos se tornem programadores, certamente a maioria optará por outras áreas, mas todos acabarão por revelar uma maior capacidade de abstração e mais criatividade, pois o pensamento computacional desenvolve várias competências, que muitas vezes estão escondidas.

A boa notícia é que, no Colégio do Vale, o pensamento computacional é trabalhado com os alunos desde o 4º ano, nas aulas de Informática, através de algumas ferramentas e jogos interativos que promovem estas aprendizagens. As crianças acabam por aprender programação quase a brincar e, assim, adquirem competências não só ao nível da resolução de problemas, e da capacidade de pensar, como também promovendo o espírito colaborativo e a criatividade.

Deste modo, os alunos do Colégio contactam com plataformas como Code.org, Scratch, Kodu, Microbit, App Inventor, Minecraft e Ready Maker, utilizando-as quer em contexto curricular, nas aulas de Tecnologias da Informação e Comunicação, quer em contexto extracurricular, com os parceiros do Colégio.

Deixamos o desafio a quem quiser perceber um pouco mais e experimentar a plataforma Code.org .

Tiago Loureiro

Professor de Técnologias da Informação e Comunicação

Anos bissextos. Sabe porque existem? E desde quando são parte do calendário?

Conforme todos já reparámos, este ano é daqueles em que o mês de fevereiro tem 29 dias, ou seja, o ano de 2020 é bissexto.

Mas, como determinar se um ano é bissexto?

É comum ouvir dizer-se que os anos múltiplos de 4 são bissextos. Na verdade, não é bem assim: são bissextos todos os anos múltiplos de 4 que não sejam múltiplos de 100 (por exemplo 2012, 2016, 2020, …) e todos os múltiplos de 400 (por exemplo 1600, 2000, 2400, …).

Mas, porque é que isto acontece?

Há mais de dois mil anos, na Roma antiga, o imperador Júlio César apercebeu-se de que o calendário romano, de 365 dias, não estava totalmente alinhado com o ano solar, com duração aproximada de 365,25 dias, ou seja, de 365 dias e 6 horas.

Para compensar este excesso anual de 6 horas, que após 4 anos completaria 24 horas, estipulou-se que seria adicionado 1 dia extra ao calendário a cada 4 anos, evitando-se assim deslocamentos das datas que marcavam o início das estações do ano. Surge assim o calendário juliano em homenagem ao imperador.

Será que o calendário juliano resolveu o problema?

Efetivamente, não! Esse calendário não resolveu totalmente o problema, pois a Terra não demora exatamente 365 dias e 6h a dar uma volta ao Sol, mas sim 365 dias, 5 horas, 48 minutos e 56 segundos, pelo que o calendário juliano criava um excesso anual de 11 minutos e 14 segundos em relação ao ano solar (ou seja 0,0078 dia). Essa diferença, com o passar do tempo, foi causando implicações no calendário das estações e nas datas de alguns ritos religiosos.

Como foi então resolvido o problema?

Tendo em conta que a discrepância de um ano no calendário juliano era de 0,0078 dia a mais que o ano solar, ao final de 1 século, o excesso era de 0,78 dia, ou seja, aproximadamente ¾ de dia, o que, ao final de 400 anos, haveria então uma diferença de 3 dias. Assim, no séc. XVI, o Papa Gregório XIII encontrou uma solução introduzindo um sistema de exceções aos anos bissextos: não seriam bissextos os anos múltiplos de cem, a menos que também sejam múltiplos de 400, retirando-se assim três anos bissextos em cada 400 anos.

Esta regra do calendário gregoriano criado em 1582, embora não seja perfeita, permanece até aos dias de hoje e é usada pela maioria dos países.

Curiosidade: Porque foi escolhido o mês de fevereiro para ser feito esse acerto?

Na implementação do ano bissexto durante o império romano, na época de Júlio César, o mês de agosto tinha apenas 29 dias. Quando o poder chegou às mãos do seu filho adotivo, César Augusto, este não gostou que o mês que recebe o seu nome (agosto) tivesse menos dias do que o mês de Júlio César (julho, que tinha 31 dias). Então, Augusto decidiu redistribuir os dias de forma a dar 31 a agosto, desfavorecendo o mês de fevereiro, que ficou com 28 dias.

Cristina Raposo

Professora de Matemática e Diretora Pedagógica

POSITIVAR EM CONTEXTO ESCOLAR

O termo Psicologia Positiva faz parte do vocabulário corrente do dia a dia, havendo imensa literatura e autores que se dedicam ao seu estudo.

Em contexto escolar, cada vez mais, os projetos educativos baseiam-se em modelos pedagógicos assentes na Psicologia Positiva, revelando o crescente interesse da comunidade escolar face aos conceitos e temas abordados, dentro desta área do conhecimento científico.

Mas o que é a Psicologia Positiva? Como pô-la em prática, em contexto escolar?

De entre as muitas definições e diversidade de autores, destaca-se a de Seligman, que a apresenta como disciplina que “estuda as forças e as virtudes, focando-se no que existe de melhor e procurando desenvolvê-lo.”

Partindo desta perspetiva, subentende-se que colocar o olhar e manter o foco no que há de melhor, em nós (talentos, recursos, potencialidades), permite-nos desenvolver o capital humano que possuímos e construir a excelência na vida ou, pelo menos, abre-se um caminho para que essa possibilidade se manifeste.

Pesquisando ainda alguns autores sobre a introdução da Psicologia Positiva, poderemos identificar os muitos benefícios do otimismo para a criança, nomeadamente aos níveis da prevenção e combate à depressão, quando esta é confrontada com as dificuldades inevitáveis da vida, do reforço do sistema imunitário e do seu desempenho geral, designadamente no desporto e na escola, sabendo-se também dos efeitos positivos, ao nível do desempenho futuro, no trabalho.

Tendo em conta estas diretrizes e acreditando que todos os seres humanos têm direito ao bem-estar e à realização plena, a todos os níveis (pessoal, social, profissional), abre-se a possibilidade de a colocar em prática na profissão docente, partindo do pressuposto que a introdução da Psicologia Positiva, na escola, atua ao nível da promoção das potencialidades, na resolução de problemas e conflitos, ao invés da sua remediação, aquando o seu aparecimento.

Deste modo, é de salientar a importância da manifestação dos talentos e potencialidades dos alunos, sendo fundamental a realização, em contexto escolar, de atividades direcionadas para a sua promoção explícita, tais como a criação de momentos de identificação, descrição, ilustração e partilha desses talentos, ao nível individual, e/ou de situações em que se promova, por exemplo, o elogio, procurando enaltecer, também, os talentos observados, no outro.

Proporcionar às crianças experiências/vivências que lhes permitam desenvolver a capacidade de gerir positivamente os seus pensamentos, discursos e ações, na resolução criativa e resiliente de novos desafios, é propósito da aplicação da Psicologia Positiva, em contexto escolar, podendo as diversas atividades ser pensadas e criadas, tendo em conta as necessidades de cada grupo de trabalho, lembrando igualmente a importância da qualidade das interações, neste processo, na promoção da comunicação positiva e não violenta ou empática.

O desenvolvimento das competências interpessoais é um aspeto importantíssimo na aprendizagem do saber ser/estar, pelo que deverá ser alvo de um trabalho diversificado e sistemático, pois remete para a aprendizagem da vida, em sociedade.

Nesse sentido, poderão criar-se variados momentos e atividades de modo a privilegiar as aprendizagens sociais, como o trabalho de grupo, no desenvolvimento da cooperação e autonomia, a realização de tarefas, com o foco no desenvolvimento da responsabilidade ou o conselho de turma, na gestão e regulação de conflitos, remetendo para as regras de convivência social, baseadas nos valores e princípios do respeito, tolerância e amizade.

A comunicação positiva ou empática é outro aspeto de grande relevância, no trabalho a desenvolver, em contexto escolar, pelo que se salienta a importância de um discurso compreensivo, empático, interessado, tolerante e positivo, valorizador do esforço de cada um e reforçador dos laços e relações humanas.

No mesmo sentido, o reforço positivo, utilizado de forma assertiva, atua como motor, na promoção da autoestima e autoconfiança da criança, sugerindo-se como possível estratégia a instituir, para além do discurso positivo adotado no dia a dia, a criação de momentos específicos onde se trabalhem e aprofundem, estes aspetos. Um exemplo poderá ser a prática diária de mindfulness, onde se poderão entoar frases/mantras como “Eu sou capaz!” e “Eu consigo!”.

Uma atitude positiva tem também um enorme impacto na forma como a criança vê e lida com o erro, pois este poderá revelar-se como sendo uma fonte de aprendizagem e não como a confirmação de uma incapacidade.

“O insucesso é apenas uma oportunidade para recomeçar de novo com mais inteligência.” (Henry Ford)

De salientar ainda que a construção de um clima de trabalho, onde o reforço positivo e o elogio imperam, não remete para o facilitismo ou falta de rigor ou exigência, mas antes para a construção de uma ambiência capaz de fazer brilhar os talentos e potencialidades de cada criança, rumo ao seu desenvolvimento pleno e consequentes bem-estar e sucesso.

É sabido que a criança modela os seus comportamentos pelas pessoas que lhe são mais significativas, nomeadamente pelos pais e professores.

Esta tomada de consciência, por parte do professor, acarreta sentido de responsabilidade, em relação às suas atitudes/comportamento, pois dependendo do foco da sua atenção, nos problemas ou nas soluções, assim se posicionará face aos aspetos mais positivos ou negativos, servindo de exemplo aos seus alunos, que tenderão a modelar-se pelas escolhas do adulto de referência.

A gestão de expetativas, por parte do professor, é também um aspeto fundamental na promoção do (in)sucesso dos seus alunos, uma vez que há uma correlação direta entre as mesmas e os resultados obtidos.

O efeito Pigmaleão descreve como as expetativas criadas pelos professores afetam o desempenho dos alunos: professores com uma visão positiva dos alunos promovem estímulos e resultados positivos; inversamente, professores com uma visão negativa comprometem negativamente o seu desempenho. (Robert Rosenthal e Leonore Jacobson)

Utilizar expressões entusiastas, valorizar o foco no positivo e elogiar de forma assertiva são condições de base para a construção de um modelo de positividade que ser quer inovador e eficaz na promoção do desenvolvimento e formação da criança.

Pretende-se pois, aplicando os conhecimentos da Psicologia Positiva, ao contexto escolar, desenvolver uma dinâmica motivacional, em que cada professor é um ator criativo e criador capaz de inspirar positivamente os seus alunos, e de guiá-los através da manifestação e desenvolvimento dos seus talentos e potencialidades, rumo ao bem-estar, alegria, realização plena e sucesso.

Como refere Steve Biddulf, “todos os dias hipnotizamos as nossas crianças, já agora façamo-lo como deve ser!”.

Célia Azevedo

Professora de 1º CEB

Nas brincadeiras e atividades diárias das crianças, encontramos e proporcionamos um leque alargado de oportunidades que permitem a exploração artística do desenho e da pintura. Através desta arte, as crianças retratam bonecos, animais, pessoas, máquinas, paisagens e expressam sentimentos. O desenho infantil é visto como um meio de desenvolvimento das crianças quando este é utilizado como instrumento de registo sobre a sua motricidade, sentido estético, desenvolvimentos emocional, linguístico, cognitivo e social, através das experiências que são vivenciadas pelas crianças aquando do seu processo de socialização. É tendo em conta este último meio de desenvolvimento que abordamos a temática.

A verdadeira questão é: de onde surgiu a designação cor de pele? Desde os primórdios da nossa existência que assumimos, sem nos questionarmos, a atribuição do significado do lápis cor de pele ao tom pálido da cor rosa. O erro começou por normalizarmos uma expressão que nos deveria parecer estranha. Numa altura social em que cada vez mais lutamos contra as desigualdades entre pessoas com pigmentações de pele diferentes, torna-se importante refletirmos sobre o impacto desta designação, para que consigamos modificar comportamentos e agir com a nossas crianças de forma a normalizarmos o conceito de diferença desde cedo, começando por abordagens que, até à sociedade atual, não eram sequer tidas como assunto étnico.

A Família e a Escola têm um papel preponderante na construção de uma sociedade pluralista. Todos os intervenientes no processo educativo da criança devem questionar até os aspetos menos visíveis e, mais que questionar, agir de forma a que sejam exemplo para as crianças. No Colégio do Vale, começámos por substituir o termo “cor de pele” e utilizamos o nome rosa pálido, bege ou até salmão, quando nos referirmos à cor. Já quando são as crianças a manifestarem essa expressão, respondemos com: cor de que pele? Assim, estamos também a contribuir para que sejam as crianças a questionarem e a refletirem sobre este tema. Também podemos pensar num grupo de crianças com diferentes etnias. O que uma criança com maior pigmentação de pele se sente quando percebe que o lápis cor de pele não tem a cor da pele dela? É fundamental que cada criança, enquanto indivíduo, traga a sua cultura para a sala e se sinta valorizada enquanto cidadã, sentindo-se parte de toda a vida escolar e social.

Também as industriais de papelaria começam a transformar os seus ideais, tendo em conta os questionamentos da sociedade. Se antigamente, todas as caixas de lápis tinham no seu conjunto colorido, um lápis a que chamavam de lápis cor de pele, atualmente, são diversas as marcas mundiais que se preocupam em ampliar o leque de lápis cor de pele, dentro de uma só caixa. Também o Colégio do Vale tem essas caixas de lápis para as nossas crianças utilizarem, pois são estas pequenas mudanças que nos fazem acreditar num futuro multicultural.

Desta forma, queremos atuar e contribuir não só para uma escola multicultural, mas também cooperar, de forma primordial, na construção de indivíduos socialmente capazes de respeitar todas as diferenças. É a diversidade que ainda nos faz surpreender sobre a mudança e enaltece a beleza e dignidade que existe em cada ser humano. E o nosso dever enquanto seres humanos é agir de forma ética, seja qual for a diferença do mundo que nos rodeia. Talvez seja o conceito de diferença que nos atrai para uma conotação negativa, criando abismos culturais entre etnias. O reconhecimento racial assume uma enorme importância na formação de cada indivíduo, principalmente na sua infância, tendo em vista uma maior conscientização da temática, que pode ser o mote da mudança de um rumo e das perspetivas de cada indivíduo enquanto ser social.

No Colégio do Vale não temos um lápis cor de pele. Temos muitos! Cor de pele de quem? Tantas são as cores de pele. Tantas que nunca caberiam dentro de uma caixa de lápis.

Filipa Santos

Educadora de Infância

 

Sabia que 10101 pode ser igual a 21?

Certamente já ouviram dizer que tudo o que computador faz é processado em dados compostos apenas com zeros e uns (0 e 1), ou seja, por um sistema binário.

Mas, antes de explicarmos este sistema de numeração, vamos analisar aquele que utilizamos no nosso dia-a-dia, em que qualquer número pode ser representado utilizando 10 algarismos: 0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8 e 9. E porquê 10 algarismos? Provavelmente porque temos 10 dedos nas mãos.

Neste sistema, um mesmo símbolo pode representar valores diferentes dependendo da posição que ocupa, ou seja, cada algarismo tem um peso de acordo com a sua posição na representação do número. Quanto mais à esquerda aparecer esse símbolo, maior é o seu valor. Trata-se, por isso, de um sistema de numeração posicional. Por exemplo, no número 3023, o 3 mais à esquerda tem um valor 1000 vezes superior ao 3 mais à direita. Efetivamente, 3023 representa o seguinte: 3 x 103 + 0 x 102 + 3 x 101 + 3 x 100. Por este motivo, o nosso sistema designa-se por um sistema de numeração decimal, ou de base 10.

Voltando agora ao computador. Ele apenas lê sinais elétricos na sua forma mais simples: sem corrente ou com corrente, representados pelos números 0 e 1, respetivamente. Assim, todos os comandos e dados processados, desde letras, sons, imagens, resultam de sequências de apenas “0” e “1”, isto é, na computação é utilizado o sistema binário ou de base 2, em que cada símbolo numa dada posição vale 2 vezes mais que na posição à sua direita.

Deste modo, o número 10101 escrito em binário corresponde ao número 1 x 24 + 0 x 23 + 1 x 22 + 0 x 21 + 1 x 20 , que em base decimal se escreve 21.

Nota: Para quem não se recorda das potências, 20 = 1 ; 21 = 2 ; 22 = 2 x 2 = 4 ; 23 = 2 x 2 x 2 = 8 ; …

Curiosidades:

1. O famoso bit significa apenas dígito binário (0 ou 1), abreviatura de binary digit. Um conjunto de oito bits é denominado byte, um kilobyte é composto por 1024 bytes…

2. O símbolo do botão de ligar/desligar dos computadores é inspirado no código binário. O 1 representa “on” e o 0 (zero) representa “off”.
Cristina Raposo

Matemática ao virar da esquina

Sabia que nos girassóis esconde-se uma sequência numérica?

Leonardo de Pisa (1170-1240), mais conhecido por Fibonacci (filho de Bonacci) foi um importante matemático italiano da Idade Média, tendo dado contributos nas áreas da aritmética, da álgebra e da geometria. Foi Fibonacci quem introduziu o sistema de numeração hindu-árabe na Europa, o atual sistema de escrita de números, mas foi a célebre sequência de Fibonacci que o tornou famoso.

A sequência de Fibonacci surgiu a partir do seguinte problema, apresentado num capítulo do seu livro Liber Abaci (Livre do ábaco) dedicado à resolução de problemas:

“Um homem colocou um casal de coelhos num local cercado por todos os lados por uma parede. Quantos casais de coelhos podem ser gerados num ano, sabendo que, por mês, cada casal de coelhos adultos gera um novo casal, que se torna reprodutivo a partir do segundo mês de vida?”

Resolvendo o problema, temos que, no primeiro mês, existia um único casal de coelhos que, no segundo mês atingiu a idade reprodutiva. Assim, no terceiro mês existem já dois pares de coelhos. No quarto mês, o casal inicial teve outro par e o primeiro casal de filhos atinge a idade adulta, perfazendo três casais. No quinto mês, o casal inicial, bem como o primeiro casal de filhos, têm novos descendentes e, portanto, ficamos com 5 pares de coelhos. Continuando o raciocínio, obtemos a seguinte sequência numérica:

1 , 1 , 2 , 3 , 5 , 8 , 13 , 21 , 34 , 55 , 89 , ...

Esta sequência de números, conhecida por sequência de Fibonacci, obedece a um padrão: cada termo obtém-se pela soma dos dois termos anteriores (1 + 1 = 2, 1 + 2 = 3, 2 + 3 =5 , …).

O curioso é que estes números aparecem um pouco por todo o lado, e em particular na natureza. Se observarmos com atenção a cabeça de um girassol, podemos observar que as sementes estão organizadas em espirais, umas que se formam no sentido dos ponteiros do relógio e outras no sentido anti-horário. Contando essas espirais, num e noutro sentido, encontramos números de Fibonacci consecutivos.

O mais comum é encontrar girassóis com 21 espirais num sentido e 34 no outro. No entanto, conforme a espécie de girassol, também existem girassóis com o 34 e 55 espirais, tal como na figura 1, ou com outros pares de Fibonacci, como 55-89 e até 89-144.

mat 1

Fig. 1

A presença desta sequência nos girassois não fica por aqui. O número de pétalas também é um número de Fibonacci, tal como acontece com a maioria das flores! Desafiamos o leitor a observá-las, a contar as suas pétalas e a surpreender-se com o resultado!

Mas não é apenas nos girassóis que esta regularidade pode ser encontrada. Se observarmos as pinhas, a partir da sua base, onde a haste conecta a árvore, podem-se observar dois conjuntos de espirais, em com 8 e o outro com 13 espirais. Mais uma vez, estamos perante um par de números de Fibonacci consecutivos!

mat 2

Fig.2

Os números de Fibonacci são muito frequentes na natureza e resultam de um processo físico de crescimento das plantas e dos seus frutos. A distribuição uniforme das sementes, através de uma curvatura específica, permite maximizar o seu número, evitando sobreposições e espaços vazios.

Cristina Raposo

Professora de Matemática e Diretora Pedagógica

 

Quem age, não se rende!

Continuamos em casa!

Por nós e por todos!

Já passou mais de um mês e continuamos em casa, 24 horas por dia, por tempo ainda indeterminado! Estamos numa luta desenfreada para nos precavermos de algo que não controlamos e ainda pouco conhecemos, procurando manter-nos em segurança, respeitando os cuidados básicos, fazendo o que podemos e o nosso melhor.

No entanto, as dúvidas e incertezas invadem-nos, a ansiedade espreita, com grande vontade de se instalar. Quase que perdemos o Norte na nossa bússola interior. Estamos inseguros! É natural que a situação nos faça repensar as nossas prioridades.

Não estamos, realmente, de férias! Mas as nossas rotinas estão diferentes, há cada vez mais desafios para gerir no dia-a-dia e o mundo está a mudar... Como vai ser? Como está a ser?

Vai ficar tudo bem! É uma expressão associada à esperança no futuro, ao otimismo, ao pensamento positivo que nos deve acompanhar, neste momento, o mais possível.

Não estamos numa situação fácil, não há manuais de instruções, poções mágicas ou fórmulas certas, no entanto, enquanto psicóloga, considero que há aspetos, tais como, uma boa comunicação entre todos, o estabelecimento de rotinas, horários, regras, limites, planos e reuniões familiares, conseguindo mantê-los, dão base e estrutura para se lidar melhor com os grandes e diferentes desafios que vão surgindo.

Assim sendo, temos de enfrentar a nova realidade, dar asas ao novo paradigma educacional em que as crianças e jovens são proativas, se responsabilizam e colaboram com o todo e para o todo. As tarefas domésticas são assim consideradas o motor do desenvolvimento do trabalho de equipa, da entreajuda, do respeito, da justiça, da solidariedade, do voluntariado,..., da autoconfiança, do autoconceito, da autoestima... e permitem perceber o papel da criança/adolescente na família, pelo que faz sentido envolver, cada vez mais, as crianças, mesmo as mais pequenas (mesmo que desajudem mais do que ajudem, tendo oportunidade podem aprender) até os adolescentes e os adultos. Todos devem participar, ressaltando a importância dos pais como modelos educacionais.

Como conseguir manter o equilíbrio?

Gerir tudo isto com calma e um sorriso diríamos que é um trabalho intenso, difícil e para super-pessoas, as quais todos sabemos que não existem.

Tendo esta noção, é muito importante conseguir não negligenciar as nossas necessidades básicas e manter o nosso bem-estar para podermos ser e sentirmo-nos competentes e o mais adequados possível. Devemos também dar atenção às nossas emoções que derivam do que pensamos e às emoções dos nossos filhos.

 

O bem-estar dos adultos (e adultos seniores) está assegurado quando conseguimos pensar positivo (porque vai atuar e produzir emoções mais positivas), mantemos as nossas rotinas (dentro do possível), relaxamos, convivemos com as pessoas que mais gostamos e satisfazemos as nossas necessidades básicas: comemos de forma saudável, dormimos bem e horas suficientes e fazemos algum exercício físico.

Se cuidarmos da nossa saúde física e mental conseguimos lidar mais facilmente com este isolamento e, mais ainda, quem tem filhos. Não significa que temos de esconder o que sentimos ou de inventar desculpas, pelo contrário, devemos falar com honestidade e humildade sobre o que estamos a sentir, transmitindo a ideia que mesmo as emoções mais negativas (chorar, ter medo, irritação, ...) são perfeitamente normais e expetáveis nesta fase, mas também transmitindo que vai passar.

Bem-estar das crianças/adolescentes

Em relação aos filhos (crianças e/ou adolescentes) também há que ter em atenção o facto de precisarem de pais que estejam abastecidos de bens de primeira necessidade, mas também de muita tolerância e paciência, doses extra de capacidade de escuta e comunicação, que lhes permitam expressarem o que sentem, acalmando-os, explicando o que se passa com honestidade e sinceridade, mas também, para não os assustar, de uma forma que entendam, utilizando uma linguagem adequada à sua idade, transmitindo uma mensagem positiva e de esperança, em que estamos todos a viver uma situação nova, mas todos juntos, somos mais fortes e vamos superar.

Em suma, as crianças precisam de se sentir apoiadas, amadas e que os pais estão lá, aconteça o que acontecer. Precisam de espaço para falar ou para se expressarem de qualquer forma. Muitas crianças expressam-se pelo desenho ou brincadeiras, e não tanto por palavras como os adultos. Precisam também de se sentir seguras e essa segurança é transmitida com a definição e manutenção de rotinas, regras e de limites. Temos de pensar no desenvolvimento da criança/adolescente como um todo: social, cognitivo e emocional promovendo a sua capacidade de lidar com a frustração e promovendo o seu bem-estar através das rotinas adaptadas à nova realidade, ou seja, também elas deverão ter um horário regular para levantar e deitar, para comer, para se mexer/pular, para estudar, ler um livro, brincar, jogar, desenhar e tempo livre para não fazer nada, pois este tempo é fantástico porque permite dar asas à imaginação e à criatividade.

Desta forma, estaremos a minimizar as ansiedades e angústias decorrentes desse momento delicado e contribuindo para que as crianças façam menos birras, chorem menos vezes e sem motivo aparente, estejam menos agressivas ou menos isoladas, queiram dormir ou comer, não deixando os pais mais exaustos ou ansiosos permitindo-lhes conciliar o trabalho, a gestão da casa, dos filhos e ainda, garantir a proteção aos mais velhos (que acham que nada lhes acontece, só aos outros), com maior facilidade.

Apesar de tudo, as crianças/adolescentes continuam a precisar de regras bem definidas. Não facilite, pois, a imprevisibilidade alimenta a insegurança e o conflito. Não permita jogos/filmes inadequados à idade e horas infindáveis nos ecrãs. Ver televisão, tablet ou usar o computador são atividades que devem ter um horário controlado e limitado por períodos, dentro de uma rotina saudável, caso contrário arriscam-se a ter um impacto negativo, causar dependência ou outras questões comportamentais.

É verdade que as crianças também se comportam mal, fazem birras, são agressivas e mostram comportamentos desajustados, pelo que será importante pensarmos no que podemos fazer nessas situações. Os gritos e palmadas, não ajudam, podem até parar o comportamento e até parecer, naquele momento, que são eficazes, mas a curto prazo, não ensinam nada de bom à criança e, menos ainda, a lidar com a frustração ou com o “não”.

Se estivermos atentos apercebemo-nos que existem algumas birras (aquelas em que percebemos que a criança está só a exteriorizar as suas emoções, que não se coloca em risco nem aos Outros) que podemos ignorar, dar tempo e esperar que a birra “se vá embora”. Quando a criança estiver mais calma, capaz de nos ouvir, devemos conversar com ela e dar-lhe espaço para falar, dizer o que sente e pensar com ela em algumas formas de resolver a situação. Por exemplo, se a criança magoou alguém ou estragou alguma coisa deve pedir

desculpa, mas também pensar numa forma de reparar ou compensar a pessoa que magoou, fazendo algo pelo Outro, de modo a responsabilizá-la pelo seu comportamento. Outra estratégia muito utilizada pelos adultos é retirar privilégios (não vê televisão, não joga no tablet, ...) mas, no presente contexto, deve-se recorrer a esta estratégia o mínimo possível ou por reduzidos períodos de tempo, pois podemos produzir um efeito ainda pior sobretudo, se não conseguirmos controlar ou se não formos coerentes (dizer e fazer).

É bom contar uns com os outros!

Neste contexto que estamos a viver, em que fomos “obrigados” a estar confinados, a alterar, a abrandar ou mesmo a travar a fundo, apercebermos como é bom contar uns com os outros, a importância de reinventar a “normalidade” distinguindo futilidades e saudades compreendendo o valor da gratidão e o que realmente tem valor.

O mundo está a alterar-se a uma velocidade alucinante e todos procuramos ajustar-nos da melhor forma, conscientes da necessidade de renovação, transformação e de maior compreensão mútua.

Os professores e as educadoras de infância continuam incansáveis à procura de soluções/alternativas para dar continuidade às atividades letivas procurando manter um contacto regular com os seus alunos e reduzindo ao máximo o impacto da quarentena. Não sendo uma tarefa fácil para ninguém, verifica-se que é possível manter o foco na escola, algumas rotinas de estudo, prestando apoio às famílias e agradecendo a sua cooperação. Por cooperação parental entenda-se orientar (crianças mais pequenas), supervisionar (crianças mais crescidas) e promover a autonomia (não fazer por ele).

Para favorecer o crescimento, é fundamental, desde pequenino, ajudar a planear, a organizar-se, a estabelecer e cumprir objetivos/tarefas que define, a gerir o tempo de lazer e as responsabilidades, a respeitar a si próprio e aos outros. O aprender a fazer, o aprender a pensar, o domínio das tecnologias, o procurar respostas para as dúvidas, depois de tentar e não conseguir solicitar a ajuda dos educadores/professores, são os pilares essenciais da aprendizagem global e do sucesso, conferindo-lhes maior capacidade e autoconfiança para darem resposta às exigências futuras.

Estamos todos a fazer História!

Estou convicta que serão muitas as histórias que as famílias vão ter para contar... sobretudo, sobre as diferentes formas como aproveitaram as oportunidades que tiveram para lidar com as dificuldades que sentiram, como desenvolveram mecanismos de resiliência e como ajudaram os filhos a refletir, a aprender a ser e a crescer neste desafio inigualável.

Cuide bem de si e dos seus!

Estamos aqui para ajudar!

Anabela Vinagre

Psicóloga

Gabinete Psicopedagogia do Colégio do Vale

Na edição de novembro revelámos o significado do misterioso algarismo do número do Bilhete de Identidade. E os 4 caracteres do Cartão de Cidadão? O que significam?

Com a criação do Cartão de Cidadão, o antigo número do BI passou a ser designado por Nº de Identificação Civil, o qual aparece seguido de 4 caracteres.

O primeiro desses caracteres corresponde exatamente ao antigo algarismo suplementar do BI desvendado na nossa edição de novembro.

Quanto aos dois caracteres alfanuméricos, estes representam apenas o número da emissão do cartão para um determinado cidadão: o primeiro cartão a ser emitido apresenta as letras ZZ; se for emitido um novo cartão, este virá com as letras ZY, e assim sucessivamente. Com grande probabilidade, neste momento o leitor estará a olhar para o seu cartão de cidadão a verificar se assim é.

No fim surge um outro algarismo, com um valor entre 0 e 9. Este é o algarismo de controlo de um novo sistema que permite detetar erros na escrita de todo o documento.

Vejamos o exemplo 17310684 6 ZZ8. Em primeiro, são atribuídos valores numéricos às letras: A = 10; B = 11; …; Z=35. Depois, fazendo a leitura do número da direita para a esquerda (começando no algarismo de controlo), adicionam-se todos os algarismos que estão nas posições ímpares (s1=8+35+4+6+1+7=61). Em seguida, multiplica-se por 2 os algarismos nas posições pares (2x35=70; 2x6=12; 2x8=16; 2x0=0; 2x3=6; 2x1=2). Subtraem-se 9 unidades aos valores obtidos com mais de um dígito (61; 3; 7; 0; 6; 2) e adicionam-se estes valores (s2=61+3+7+0+6+2=79). Por fim, calcula-se a soma dos valores obtidos (s1+s2=61+79=140), o qual deverá ser múltiplo de 10 (ou seja, o seu algarismo das unidades deverá ser 0). Se o resultado não for um múltiplo de 10, significa que ocorreu um erro e que o número não está corretamente escrito.

Este sistema, ao contrário do dígito de controlo do BI, permite efetivamente detetar se a escrita do número está correta, tornando desta forma possível detetar falsificações de cartões assim como reconstruir o número em caso de ilegibilidade de algum algarismo.

 

A Páscoa é sempre num domingo, no entanto o dia e mês em que se celebra varia de ano para ano. Sabe porquê?

No primeiro Concílio de Niceia (325 d.C.), procurando combinar diferentes calendários e tradições hebraicas, romanas e egípcias, o imperador Constantino decretou que a Páscoa deveria ser celebrada no domingo imediatamente a seguir à primeira lua cheia após o equinócio da primavera (no hemisfério sul será o equinócio do outono), podendo ocorrer entre os dias 22 de março e 25 de abril.

Para determinar as datas de Páscoa, o matemático Johann Friederich Carl Gauss desenvolveu um algoritmo que permite calcular a data da Páscoa no calendário gregoriano, a partir de 1583:

 

ALGORITMO PARA DETERMINAR A DATA DA PÁSCOA

Considere-se A o ano, e m e n dois números que variam ao longo do tempo de acordo com a seguinte tabela:

tabela pascoa

Considere-se também:

  • a - o resto da divisão de A por 19
  • b - o resto da divisão de A por 4
  • c - o resto da divisão de A por 7
  • d - resto da divisão de 19a + m por 30
  • e - o resto da divisão de 2b + 4c + 6d + n por 7

Se d + e < 10 então a Páscoa será no dia 22 + d + e de março.

Caso contrário, a Páscoa será no dia d + e - 9 de abril.

Casos particulares:

1. Quando o domingo de Páscoa calculado for o dia 26 de abril, deve ser sempre substituído por 19 de abril (ocorre em 2076).

2. Quando o domingo de Páscoa calculado for o dia 25 de abril e d = 28, e = 6 e a > 10, deve ser substituído por 18 de abril (ocorre em 2049).

 

Assim, para este ano, 2021, temos que a = 7, b = 1, c = 5, d = 7, e = 6, m = 24 e n = 5.

Como d + e = 13, então d + e – 9 = 4, ou seja, a Páscoa será no dia 4 de abril!

E é partir do dia da Páscoa que outros feriados móveis são estabelecidos: 2 dias antes temos a Sexta-Feira Santa, 47 dias antes, o Carnaval e 60 dias depois, o Corpo de Deus

Curiosidades:

1. Por vezes, ouvimos dizer que a Páscoa ocorre 40 dias após o Carnaval, o que não corresponde à verdade. O período entre estas duas datas é um tempo de penitência e de preparação para a Páscoa, designado por Quaresma. Este período compreende um total de 46 dias pois os domingos não são contabilizados, visto não serem dias de penitência.

2. Os dias extremos do intervalo correspondem muito raramente a domingos de Páscoa. A última vez que a Páscoa ocorreu a 22 de março foi em 1818 e a próxima será em 2285. Menos rara é a Páscoa ocorrer no dia 25 de abril (ocorreu em 1943 e voltará a acontecer em 2038 e 2190).

Cristina Raposo

Quando abraçamos a missão de preparar as nossas crianças/os nossos jovens para um mundo que ainda não conhecemos, não é suficiente promover a aquisição de conhecimentos teóricos, científicos e práticos. É também essencial que se promovam atividades em que possamos questionar o que nos rodeia e reinventar o que conhecemos, pois o progresso do nosso mundo não depende do domínio de tudo o que é conhecido ou já foi inventado, mas de toda a capacidade que temos para o que ainda podemos inventar.

Assim, a criatividade promove um equilíbrio entre a teoria e a prática na aprendizagem e a expressão dramática é a grande oportunidade de desenvolver a ligação entre a consciência, os conhecimentos adquiridos e as emoções. Enquanto se memoriza as falas e se aprende a expressar fisicamente, adquirem-se competências de capacidade de comunicação, concentração, cooperação, empatia, autoconfiança, que dificilmente se desenvolveriam tão eficazmente noutro contexto e que são ferramentas essenciais num mundo cada vez mais exigente e competitivo.

Deste modo, o Colégio do Vale dinamiza, há 15 anos, o Núcleo de Teatro do Colégio do Vale, que pretende a valorização do sentido estético e artístico ao mesmo tempo que é um instrumento impulsionador de uma aprendizagem mais globalizante e autónoma. Um aluno que enfrente os desafios de pisar um palco, será sempre um adulto mais seguro, mais confiante, mais feliz e com uma maior capacidade de improvisação diante de situações inesperadas que surjam.

Independentemente da plateia ou dos aplausos, o teatro ensina-nos a desempenhar o nosso papel, ensinando-nos também a importância de apoiar e de sermos apoiados num grupo onde crescemos juntos, criando e recriando outras oportunidades e explorando novos caminhos, rumo a um progresso que será sempre o resultado desses percursos que nos predispusemos a inventar.

Ana Coelho

Professora de Português e Francês

Os Jovens convivem, interagem, namoram… na escola, nos bancos do jardim… na Vida! As emoções evoluem, as hormonas chocam dentro do seu corpo e as transformações acontecem. As descobertas iniciam-se e com elas as dúvidas, a curiosidade.

Falar em Sexualidade não é abordar apenas uma questão científica. Falar em Sexualidade é falar também em sensações e emoções. O conjunto que evolui dentro de cada adolescente.

O “encontro” com a Sexualidade é cruzar com um estado de energia que nos motiva para encontrar amor, contacto, ternura e intimidade; ela integra-se no modo como sentimos, movemos, tocamos e somos tocados, é ser-se sensual e ao mesmo tempo ser-se sexual. Esse estado de energia (e de alma) influencia pensamentos, sentimentos, ações e interações e, por isso, influencia também a nossa saúde física e mental.

Porém, tudo o que vivemos deve ser feito e sentido com responsabilidade. A vida é feita de escolhas e fazê-las de forma ponderada e responsável, tendo noção dos prós e dos contras, assumindo as consequências das opções que são tomadas, é fundamental!

Cada vez mais os jovens vivem as relações afetivas em formato fast food, o imediato e com uma emoção intensa. Muito informados, mas pouco reflexivos face à informação. A Educação Sexual assume, neste contexto atual, um papel fundamental para tornar a sala de aula um espaço de partilha, reflexão e, ao mesmo tempo de promoção da saúde sexual dos adolescentes.

Os jovens não são só ciência e o espírito crítico face ao conhecimento necessita de ir ao encontro do que eles sentem. A escola é a responsável pela sua abordagem formal, mas também emocional, promovendo a igualdade entre os sexos e educando para o respeito pela diferença entre as pessoas e pelas diferentes orientações sexuais.

Escola e Família colaboram assim para ajudar os jovens a sentirem-se mais seguros quando as dúvidas, as angústias e os receios surgirem, promovendo o autoconhecimento e valorização de si próprios, nesta etapa fundamental para a construção da sexualidade adulta.

 

Professora Maria Carrilho

Ciências Naturais